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Turquia assume presidência do G-20 e propõe ampliar a agenda

País tentar preservar aimagem de democracia, país pede que bloco dê mais atenção às economias emergentes

Rolf Kuntz, enviado especial/ Davos, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2015 | 02h04

A Turquia assume a presidência do Grupo dos 20 (G-20), formado pelas maiores economias do mundo, prometendo incluir na agenda maior atenção aos problemas dos países menos desenvolvidos, maior preocupação com a desigualdade e maior esforço para execução dos programas já definidos. Um desses programas é o investimento global de US$ 70 trilhões de dólares em infraestrutura em 15 anos, lembrou o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, em discurso em Davos, no Fórum Econômico Mundial. Aplaudido pelo discurso, o primeiro-ministro enfrentou mais tarde uma situação muito menos confortável, ao ter de falar, numa reunião com jornalistas, sobre o grau de liberdade de imprensa em seu país.

O G-20 representa 85% do Produto Bruto Mundial e 75% do comércio. Presidir esse grupo dará maior visibilidade a um país já destacado por seu dinamismo recente, mas também atrairá maior atenção a seus problemas internos e à sua condição geopolítica. Além de ser uma ponte geográfica e cultural entre a Europa e a Ásia, e Turquia consolidou há décadas um regime político leigo, uma raridade na região.

Além da laicidade, seus governantes procuram exibir a imagem de uma democracia semelhante às do Ocidente, fundada no império da lei e no respeito às liberdades consagradas na tradição liberal.

O governo turco tem aparecido nos meios de comunicação como repressor da imprensa, especialmente dos jornais e jornalistas favoráveis à oposição. A maior parte do encontro, organizado pelo Fórum, foi consumida em questões ligadas à censura, a pressões sobre a imprensa e a prisões de jornalistas.

O primeiro-ministro começou rejeitando essas acusações, difundidas pela imprensa e sustentadas por duas organizações internacionais, o Comitê de Proteção a Jornalistas (CPJ, na sigla original) e Plataforma de Solidariedade a Jornalistas Aprisionados.

Pessoas citadas por essas entidades foram de fato presas, mas por atividades sem vínculo com o jornalismo, disse o ministro. Ele foi preparado para receber essas perguntas e para defender o governo. Alguns minutos depois de iniciada a discussão, os participantes do encontro receberam cópias de um documento de três páginas com a relação dos presos e dos crimes imputados a cada um - assassinatos, bombardeios de instalações policiais, assaltos a bancos, sequestros, produção de bombas, falsificação de documentos e aliciamento de jovens para organizações terroristas.

Nenhum participante do encontro poderia confirmar ou contestar, naquele momento, as alegações apresentadas pelo ministro. Além disso, qualquer verificação será trabalhosa. Mas a preparação do ministro para o encontro evidenciou a preocupação do governo com a projeção da imagem do país, especialmente durante a presidência do G-20, até o fim deste ano.

Pressões governamentais contra a Turquia são menos prováveis. Importante aliado das potências ocidentais, o país funciona como barreira de contenção política e militar numa região afundada em conflitos e sujeita à ação de grupos extremistas, como o Estado Islâmico. Além disso, a Turquia mantém fronteiras abertas para absorver milhões de refugiados.

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