Turquia diz que metas para conta corrente não devem constar em relatório

Os EUA e a Coreia do Sul estão pressionando para que os membros do G-20 cheguem a um acordo sobre metas para reduzir seus desequilíbrios externos

Alvaro Campos, da Agência Estado,

22 de outubro de 2010 | 13h48

O vice-primeiro-ministro da Turquia, Ali Babacan, disse que o G-20 não vai delimitar metas para a redução de desequilíbrios em conta corrente na reunião que está sendo realizada na Coreia do Sul. "Eu sei que existem países que querem números no comunicado oficial da reunião, mas eu tenho dúvidas de que haverá um consenso para isso", comentou.

Os EUA e a Coreia do Sul estão pressionando para que os membros do G-20 cheguem a um acordo sobre metas para reduzir seus desequilíbrios externos. Eles propuseram limitar esses desequilíbrios a 4% do PIB de cada país até 2015, segundo o ministro das Finanças do Japão, Yoshihiko Noda.

Essa poderia ser uma forma de fazer com que países como a China, que geralmente evita assumir compromissos sobre política cambial, concordem com metas obrigatórias para "reequilibrar" o crescimento global, evitando uma dependência excessiva dos consumidores dos EUA. Mas o Japão e a Alemanha, cujo modelo de crescimento baseado em exportações fez com que eles acumulassem grandes superávits comerciais, estão se opondo à essa solução para o balanço em conta corrente, que é a mais ampla medida sobre os ganhos das nações com comércio e investimentos.

Os comentários de Babacan refletem o ceticismo entre os países em desenvolvimento sobre um acordo para metas obrigatórias nessa reunião de Gyeongju, que é preparatória para a reunião de cúpula do G-20 que acontece em Seul no mês que vem. "Provavelmente não será possível apresentar metas concretas, especialmente porque isso tem muito a ver com os preços das commodities, do petróleo, do gás", disse o representante turco, que também é ministro de Economia do país.

"Muitos países são importadores e exportadores desses produtos. O que vai haver são apenas esforços, apenas certas diretrizes. É importante que os países pelos menos se esforcem para corrigir esses desequilíbrios, mas cumprir metas específicas, sob certas circunstâncias, não será fácil", acrescentou Babacan.

Em relação ao recente fortalecimento da lira, que subiu para o maior nível em dois anos ante o dólar, o ministro disse que o governo vai deixar o mercado decidir a direção da taxa de câmbio, embora as autoridades possam fazer "pequenos ajustes". "Nós temos uma taxa de câmbio flutuante. A lira está subindo. Isso tem muito a ver com a confiança na nossa economia. Dentro das nossas principais políticas, podem haver micro ajustes, que sempre podem ser feitos pelo governo ou pelo banco central", explicou. As informações são da Dow Jones.

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