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TV tem alta de 1,3% este mês e pode subir mais

Pressão da alta do dólar sobre o preço do produto é muito forte porque 80% dos insumos industriais usados são importados

MÁRCIA DE CHIARA, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2013 | 02h14

Os preços dos televisores subiram este mês 1,3%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), que é uma prévia da inflação oficial. Mas, em 12 meses até junho, o produto ficou em média 7,04% mais barato. No primeiro semestre, o preço médio das TVs caiu 0,76%.

A indústria não confirma que já tenha aumentado preços por causa do câmbio, mas admite preocupação. É que os televisores são uma espécie de produto ícone da pressão do dólar. Cerca de 80% dos custos de insumos usados na fabricação das TVs estão atrelados ao câmbio, porque esses componentes são importados da Ásia.

"Estamos apreensivos com a volatilidade do câmbio", diz Benjamin Sicsú, vice-presidente da gigante coreana Samsung e vice-presidente para áudio e vídeo da Eletros, associação que reúne fabricantes de eletroeletrônicos.

Ele explica que as margens dos fabricantes são muito apertadas, variam entre 2% e 3%. Com uma variação dólar na faixa de 10%, como ocorreu nos últimos 30 dias, diz não ser possível evitar o repasse. "Mas nossa política não é sair repassando os aumentos de custos", pondera, lembrando que, no passado recente, os preços dos televisores recuaram por causa dos avanços tecnológicos.

Sicsú lembra de outro problema que o setor deverá enfrentar. Na primeira quinzena deste mês, a indústria de televisores fechou com o governo um acordo no programa "Minha Casa Melhor" para vender TVs com preço máximo fixado em R$ 1.400. Com esse aumento de custos provocado pela alta do dólar, as condições ficam mais apertadas para a indústria honrar o compromisso.

Apesar de o IPCA-15 ter captado alta de preços das TVs no varejo, Sicsú diz que o impacto dessa alta de custos no preço final do produto depende de cada empresa, pois há companhias que fecham o câmbio com 6 a 9 meses de antecedência, outras que pagam os componentes antecipadamente e outras que quitam a importação na hora do desembarque. Outro fator importante na formação de custos, lembra é o nível de estoques de componentes na indústria.

Computadores. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, a expectativa é que essa alta do câmbio eleve os preços de computadores e celulares entre 3% e 4%, em relação aos valores do mês passado. Segundo ele, os produtos mais sensíveis ao reajuste dos preços são os computadores de mesa (desktops) e os notebooks. "Os produtos de informática, que têm margens menores, suportam menos o impacto do câmbio."

No caso dos celulares, smartphones e tablets, Barbato acredita que os repasses de custos possam ser menos sentidos. Isso porque esses produtos contam com um grande número de lançamentos. "Quando se coloca um novo produto no mercado, naturalmente, ele tem preço e margem maior." Nas contas de Barbato, a recente alta do dólar vai chegar às empresas a partir de julho, quando começarão a ser recompostos os estoques de componentes importados adquiridos em abril.

Para os varejistas, o impacto da alta do dólar nos preços pode acontecer a partir do terceiro trimestre, segundo o analista Renato Prado, do Banco Fator. Mas, na visão de consultores, o repasse pode ser difícil. "Num momento como esse, em que há um desaquecimento de demanda, repassar preços fica muito mais complicado", diz Eugenio Foganholo, diretor da consultoria Mixxer. / COLABORARAM RODRIGO PETRY E DAYANNE SOUSA

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