Tyson Foods faz oferta pela Hillshire e pode frustrar plano do JBS nos EUA

Arquirrival do grupo brasileiro no mercado americano, Tyson ofereceu ontem US$ 6,8 bilhões pela empresa de produtos congelados Hillshire, apenas dois dias depois de o JBS ter feito uma proposta de US$ 6,4 bilhões pela companhia

NOVA YORK , O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2014 | 02h09

A gigante americana de alimentos Tyson Foods iniciou ontem uma disputa com o brasileiro JBS, maior processador mundial de carne do mundo, para adquirir a popular fabricante de salsichas Hillshire Brands com uma oferta de US$ 6,8 bilhões. A proposta da Tyson Foods ocorre dois dias depois que a americana Pilgrim's, subsidiária do JBS, ofereceu US$ 6,4 bilhões pela Hillshire, que produz basicamente presuntos, salsichões, hambúrgueres e é dona da marca de salsichas Jimmy Dean.

Enquanto a Tyson Foods coloca na mesa US$ 50 por ação da Hillshire, a Pilgrim's ofereceu US$ 45. As duas competidoras exigiram a mesma condição: a Hillshire deve renunciar à oferta de aquisição feita em meados de maio pela empresa de produtos congelados Pinnacle Foods, propriedade do fundo de investimentos Blackstone Group.

A Hillshire pretende comprar a Pinnacle, mais conhecida por sua marca Birds Eye Foods, por US$ 6,6 bilhões (incluindo dívidas), para se desenvolver no setor de congelados. Mas suas ambições parecem ameaçadas, em especial, porque os acionistas manifestaram sua oposição ao projeto. "Estamos convencidos de que há uma sólida lógica estratégia financeira na combinação da Tyson com a Hillshire", afirmou ontem o presidente da Tyson Foods, Donnie Smith. Segundo ele, a Hillshire pode "mudar o jogo" no mercado de comidas preparadas, o que desperta o apetite de muitas empresas.

A Tyson Foods é a maior produtora de aves de corte nos Estados Unidos, seguida de perto pela Pilgrim's. A guerra que se estabeleceu entre as duas e, portanto, entre a Tyson Foods e o JBS, parece ser do agrado dos investidores, que apostam num cenário de alta das ações da Hillshire.

A empresa americana tem sido sondada já há algum tempo, segundo fontes do mercado. Meses antes de fazer uma oferta pela Pinnacle, a Hillshire teria rejeitado uma proposta de fusão com a Pilgrim's.

O movimento do JBS nos Estados Unidos representa um retorno às aquisições pouco menos de um ano após a sua última grande compra. Em junho de 2013, o grupo assumiu a marca de varejo Seara no Brasil, que pertencia à Marfrig, em um negócio de R$ 6 bilhões. Na avaliação de analistas, a compra da Hillshire Brands é mais um passo agressivo para o grupo.

Assim como o JBS, a Tyson Foods espera, com a compra da Hillshire, reforçar sua atuação no segmento de pratos preparados, em especial de café da manhã - nicho que tem despertado o interesse da concorrência num momento em que os consumidores americanos estão mudando os hábitos alimentares.

A Tyson Foods promete a seus acionistas economias "importantes" de custos e um impulso nos lucros quando finalizar a operação.

De seu lado, a Pilgrim's, com importante atividade nos EUA e no México, espera aumentar seus lucros na América do Norte e ganhar com sinergias.

No ano passado, a Tyson Foods declarou um faturamento de US$ 34,4 bilhões, e a JBS, controladora da Pilgrim's, de US$ 41,7 bilhões. Essa "guerra da salsicha" ocorre num contexto muito favorável aos produtores de carne nos EUA.

Este ano é "muito bom" para o setor de processamento de carne, estima a empresa de análise de mercado Trefis, destacando que as margens de lucro dos grupos agroalimentares aumentaram em razão da alta dos preços. Os preços de carne de porco, costela, salsichas e presuntos subiram por causa de uma epidemia que afeta as criações de suínos nos Estados Unidos.

A demanda por frango - a carne mais barata - está em seu nível mais alto dos últimos três anos quase, segundo a Trefis. Os produtores aproveitam também a queda do preço do milho com que alimentam seus animais.

Bancos. A rivalidade entre a Tyson Foods e o JBS não se limita à compra da Hillshire. Está estendendo-se também ao terreno financeiro. Ontem, o JBS USA anunciou o adiamento da operação de captação externa de US$ 750 milhões em bônus com vencimento em 2024, alegando um conflito de interesse envolvendo uma das instituições coordenadoras da operação, o Morgan Stanley. O banco é um dos assessores da Tyson Foods na oferta de compra da Hillshire.

O JBS disse que tem a intenção de contratar um novo coordenador líder. Procurado, o Morgan Stanley não se manifestou. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS, TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.