Tyson Foods negocia compra de empresa de alimentos no Brasil

Maior processadora de aves do mundo está perto de levar o frigorífico Pena Branca, de São Paulo

Natalia Gómez e Agnaldo Brito, O Estadao de S.Paulo

13 de novembro de 2007 | 00h00

A Tyson Foods, gigante do setor de alimentos nos Estados Unidos, anunciou ontem que se prepara para chegar ao Brasil até o fim deste ano. A direção da companhia informou, durante uma conferência de imprensa, que assinou uma carta de intenções a partir da qual negocia a compra de um frigorífico de porte médio no Brasil. Segundo fontes de mercado, a negociação em andamento seria com a Pena Branca.A Pena Branca concentra o setor frangos em Jaguariúna e Amparo (SP) e abate cerca de 280 mil aves por dia, das quais 60% são exportadas. As atividades da Pena Branca na região Sul foram vendidas em 2002 para o grupo americano OSI, que hoje utiliza apenas a marca Pena Branca. Há um ano, a companhia norte-americana tentou uma associação com a paranaense Globoaves.Segundo o vice-presidente da do grupo e presidente da Tyson Foods International, os investimentos fora dos EUA fazem parte de uma estratégia de crescimento das vendas dos atuais US$ 3 bilhões para US$ 5 bilhões até 2010.A entrada da Tyson Foods no mercado brasileiro foi uma das razões centrais para a Sadia tentar adquirir a Perdigão, em 2006. A oferta de R$ 3,88 bilhões foi rechaçada pela rival que agora assumirá a liderança do setor no Brasil após a aquisição da Eleva.Para Pedro Galdi, analista do ABN Amro Real Corretora, independente de qual companhia seja o acordo, a entrada da Tyson Foods mostra a importância do mercado brasileiro como base produtiva para atender o mercado mundial. A produção de frango nos Estados Unidos tem enfrentado um problema de custo que tem se agravado nos últimos anos. A demanda norte-americana por etanol, produzido lá a partir do milho, elevou a concorrência pelo grão e, em conseqüência, os preços.O preço médio histórico do milho era de US$ 82,60 a tonelada. No período de um ano e meio, o preço do grão subiu para US$ 153 a tonelada. "Não tenha dúvida e que a disputa do setor de aves nos Estados Unidos por milho - que agora é desviado para a produção de etanol - é a razão básica para a transferência de empresas de lá para cá", afirma Rafael Weber, analista de alimentos da Geração Futuro.MAIS BAIXOEle cita um estudo de 2005, elaborado pelo Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), que demonstra a diferença de custo de produção em três mercados. Em centavos de dólar, o custo no Brasil é o maior baixo: US$ 0,43 ante os US$ 0,55, nos Estados Unidos, e US$ 0,60 na Tailândia. "Essa diferença deve ter se acentuada nos últimos meses com o uso de parte da produção de milho para a produção de etanol", afirma.Weber diz que a entrada da Tyson Foods no Brasil ajudará o País a abrir mercados fechados, como o japonês e da União Européia, para carne de suíno in natura, e o dos Estados Unidos e México, para carne de frango in natura.

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