Kai Pfaffenbach/Reuters
Kai Pfaffenbach/Reuters

Uber deve faturar 300% mais em 2015

Corridas feitas devem alcançar US$ 10,8 bilhões, segundo apresentação feita a potenciais investidores; empresa fica com 20% do valor

O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2015 | 02h03

As corridas pedidas pelos usuários globais do aplicativo de motoristas particulares Uber devem crescer quase quatro vezes neste ano, para US$ 10,84 bilhões, devendo avançar a US$ 26,12 bilhões em 2016. As informações saíram de uma recente apresentação para potenciais investidores da companhia obtida pela 'Reuters'.

O serviço de transporte, que opera em mais de 50 países, cobra dos motoristas cadastrados 20% do valor das corridas, segundo apresentação confidencial preparada por banqueiros chineses com dados informados pelo Uber. A apresentação foi preparada para uma rodada de injeção de recursos na empresa.

Com base nestes números, a receita de 2015 da companhia deve ser de aproximadamente de US$ 2 bilhões, de acordo com cálculo da Reuters.

Uma porta-voz na sede da Uber em São Francisco disse que a empresa não comenta "rumores e especulações" ao ser questionada sobre a apresentação. Procurada pelo Estado, a assessoria do Uber no Brasil disse não ter números referentes à operação no País.

Os slides da apresentação conseguida pelo Uber mostram dados até junho e dão uma ideia do crescimento explosivo da companhia de apenas seis anos de idade e avaliada mais recentemente por investidores como valendo US$ 50 bilhões, maior montante para uma empresa de tecnologia de capital fechado em todo o mundo.

No ano passado, o presidente-executivo da Uber, Travis Kalanick, afirmou que a receita da empresa estava dobrando a cada seis meses. Mas os serviços da companhia estão enfrentando obstáculos em várias cidades do mundo, incluindo no Brasil, onde motoristas não tinham alvarás para operar. A empresa diz que trabalha com autoridades locais em várias cidades para revogar as proibições. No início de agosto, o governo do Distrito Federal vetou projeto de lei que proibia o serviço.

Segundo a apresentação, as corridas registradas nos aplicativos da companhia em 2014 somaram US$ 2,91 bilhões depois de US$ 687,8 milhões em 2013. A apresentação não traz dados sobre as despesas ou se a companhia é lucrativa.

A apresentação também disse que a empresa estatal de seguros China Life e a empresa China Taiping Insurance investiram no Uber no ano passado, se juntando a uma base de acionistas que inclui o grupo automotivo indiano Tata e o Bennett, Coleman & Co Ltd., maior conglomerado de mídia da Índia. A China Life confirmou o aporte, enquanto o China Taiping não quis comentar.

IPO. A apresentação foi preparada para potenciais investidores em um fundo que tem ações da Uber Global e da Uber China, uma empresa separada constituída no país asiático onde compete com empresas como a Didi Kuaidi. Os slides continham dados operacionais para as duas empresas, mas não revelava detalhes financeiros da Uber China.

Na apresentação também estava a previsão de uma abertura de capital (IPO) da Uber Global num prazo entre 18 e 24 meses. Kalanick e pessoas próximas já se recusaram no passado a discutir qualquer cronograma.

Muitos acreditam que o Uber esteja perdendo dinheiro à medida que oferece incentivos financeiros a motoristas em um esforço para ganhar mercado. A empresa também lida com diversos problemas regulatórios e legais, além de proibições em países como França, Espanha e Tailândia.

Mas apoiadores que vão de empresas de capital de risco do Vale do Silício, como Benchmark e New Enterprise Associates, a investidores institucionais, como Fidelity e Qatar Investment Authority, têm despejado perto de US$ 5 bilhões para apoiar Kalanick, que disse que tem planos de construir uma rede de logística computadorizada. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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