Bruno Capelas/Estadão
Bruno Capelas/Estadão

Uber usa jornal para advogar por regra de transporte

Para publicitário Nizan Guanaes, meio tradicional é a forma que as empresas têm para atingir, com credibilidade, formadores de opinião

O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2017 | 05h00

O aplicativo de transporte Uber usou anúncios em jornais para advogar pela manutenção das regras atuais do serviço de transporte privado no País, que são definidas pelos municípios. Em publicidade de página dupla, a empresa apelou aos 513 deputados federais usando o slogan “Direito de Escolha”, ao lado de posts favoráveis ao Uber publicados em redes sociais por alguns dos 13 milhões de usuários do serviço no País. Na noite de ontem, a regulamentação foi aprovada, mas incluiu emenda pró-taxista.

O publicitário Nizan Guanaes, fundador do Grupo ABC e atualmente à frente da operação da agência DM9DDB, foi às redes sociais para destacar a estratégia de comunicação: o uso do meio tradicional por uma empresa de tecnologia que precisa emprestar credibilidade a uma mensagem publicitária de seu interesse.

De acordo com Nizan, a mídia impressa deveria celebrar sua importância de forma mais contundente. “Eu, Nizan Guanaes, escrevo aqui no Facebook para vocês anotarem: o jornal e a revista de papel não vão acabar”, ressaltou.

Em entrevista ao Estado, o publicitário afirmou que o Uber usou os jornais por causa do público-alvo nesse caso específico: os formadores de opinião.

“É usando o jornal que o Uber terá visibilidade com os deputados e com outros leitores capazes de influenciar a votação”, frisou Nizan. “O digital é uma coisa maravilhosa, mas o jornal ainda tem o valor da credibilidade. E o jornal de papel só vai acabar no dia em que o dinheiro de papel e o casamento de papel deixarem de existir.”

Para o diretor executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira, o meio jornal foi escolhido pelo Uber em um momento crucial, uma vez que a decisão dos deputados pode influenciar na viabilidade dos apps de transporte no Brasil. “Quando as empresas precisam falar sobre temas sérios, costumam optar pelos jornais. Foi o que ocorreu recentemente com as companhias citadas na Operação Carne Fraca”, disse Pedreira.

Pesquisa. A credibilidade dos jornais está refletida na pesquisa de hábitos de mídia dos brasileiros feita pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência de República. Segundo o levantamento mais recente, de 2015, os jornais aparecem como o veículo de comunicação mais confiável, com 58% dos entrevistados dizendo que sempre ou muitas vezes confiam no que leem. Em televisão, o índice é de 54%. Na média dos meios digitais, o porcentual cai para 27%.

Procurado, o Uber não respondeu os pedidos de entrevista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.