UBS anuncia US$10 bi em perdas com crédito e levanta capital

O banco suíço UBS revelou nestasegunda-feira 10 bilhões de dólares em baixas contábeisvinculadas a créditos de alto risco e informou que obteve umainjeção de capital de emergência de um órgão do governo deCingapura e de um investidor do Oriente Médio, que não teve suaidentidade revelada. O UBS, que tem sido severamente abatido pela crise nomercado de hipotecas de risco dos Estados Unidos, emitiu umalerta de lucro e cancelou planos para entrega de dividendos emdinheiro. O encargo de 10 bilhões de dólares foi uma das maioresbaixas contábeis registrada por qualquer banco global desde oestouro da crise de crédito e representa o mais recente sinalda devastação que caiu sobre as maiores instituiçõesfinanceiras do mundo. O anúncio da baixa contábil chegou a derrubar as ações doUBS. Os papéis chegaram a cair 2,97 por cento, mas recuperarammais tarde, operando em alta de 2,62 por cento às 8h57 (horáriode Brasília). O investimento de Cingapura, que dá à cidade-estadoasiática uma participação de 9 por cento no UBS, é o maisrecente caso de resgate de um importante banco ocidental por umfundo soberano, depois que a Autoridade de Investimento de AbuDhabi comprou uma fatia de 7,5 bilhões de dólares no Citigroup. "É uma tendência em desenvolvimento. Investidores soberanosda Ásia e do Oriente Médio têm recursos e horizonte de longoprazo maiores que o investidor médio de mercado", disse OmarFall, analista do ABN Amro, em Londres, para quem o nível dediluição das ações do UBS após a injeção de recursos é "muitosignificativa". O UBS informou que não exclui a possibilidade de concederassentos em seu conselho diretor aos novos investidores. O UBS fez uma emissão de 13 bilhões de francos suíços (11,5bilhões de dólares) dos quais 11 bilhões de francos foramadquiridos pela Corporação de Investimento do Governo deCingapura (GIC) e 2 bilhões de francos pelo investidor doOriente Médio. Uma fonte do setor financeiro informou que acredita-se queo investidor do Oriente Médio deve ser o governo de Omã. Os anúncios do UBS foram feitos na véspera da reunião cominvestidores do banco em Londres, na qual opresidente-executivo da instituição, Marcel Rohner, e outrosimportantes dirigentes do banco estarão presentes.

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