UBS começa a demitir 10 mil funcionários

Redução de postos será a maior de um banco desde a quebra do Lehman Brothers, em 2008; no Brasil, promessa é de aumento de investimento

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2012 | 02h09

Quando dezenas de funcionários do UBS tentaram entrar no escritório da instituição financeira na Avenida Finsbury, em Londres, na manhã de ontem, se surpreenderam com o fato de seus cartões magnéticos não estarem dando acesso às catracas. Momentos depois, foram informados que faziam parte dos 10 mil funcionários que o UBS começou a demitir ontem mesmo, na maior redução de postos de trabalho em um banco desde a quebra do Lehman Brothers, em 2008.

No Brasil, a decisão do banco vai justamente na direção oposta, com planos, até mesmo, de incrementar investimentos em suas atribuições de gestor de fortunas. Já nos países desenvolvidos, a decisão de reduzir o número de empregados em 16% ocorre num momento em que o banco suíço estima que precisava reavaliar suas operações diante de prejuízos de mais de US$ 2,5 bilhões no terceiro trimestre.

Outros bancos como o Credit Suisse, o Deutsche Bank e o Danske também indicaram demissões que poderão chegar a mais de 6 mil trabalhadores.

Por enquanto, a grande parte da reforma no UBS ocorrerá em Zurique, Londres e nos Estados Unidos. Ontem, 100 funcionários no escritório britânico - que mantém 6,5 mil trabalhadores - já foram informados do fim de seus contratos. Mas o processo de demissão poderá levar três anos para ser completado.

A meta da instituição é economizar US$ 3,6 bilhões até 2015, reduzindo de forma drástica suas atividades de banco de investimento. Com a decisão, o banco passa fundamentalmente a se concentrar no setor de gestão de fortunas.

Sergio Ermotti, CEO do banco, defendeu a decisão, apontando que a redução para 54 mil funcionários permitirá que o banco possa ser mais eficiente e que "todo seu potencial" seja explorado.

Desde o início da crise, o UBS não tem conseguido se dissociar de uma série de escândalos. Foi resgatado pelo governo suíço depois de registrar perdas de US$ 42 bilhões, registrou uma das maiores perdas do sistema financeiro britânico por causa da ação de um operador e ainda esteve envolvido no escândalo da Libor.

Com a decisão de ontem, os ativos considerados de alto risco serão reduzidos de US$ 330 bilhões para cerca de US$ 220 bilhões. A demissão de 10 mil funcionários do banco trouxe euforia nas ações do UBS, com uma alta de mais de 5,7% ontem, além de um incremento de outros 7% na segunda-feira.

Emergentes. "Vamos deixar de funcionar de forma significativa em negócios onde os retornos ajustados ao risco não podem cumprir seu custo de capital de forma sustentável ou naqueles com complexidade operacional de alto risco que pesam sobre os retornos futuros", disseram os presidentes Axel Weber e Ermotti em carta aos acionistas.

Na realidade, um banco de investimento menor permitirá que o UBS foque suas atividades na gestão de fortunas. A instituição tem depósitos de US$ 1,5 trilhão, superior ao PIB de mais de 100 países pelo mundo.

Parte dos novos clientes, segundo estimam os bancos suíços, está justamente nos mercados emergentes e no Brasil. O País é um dos que registra a maior expansão de milionários, com 10 mil novas pessoas entrando nessa categoria apenas em 2011. Não por acaso, bancos como Credit Suisse, Julius Baer e UBS estão fortalecendo a presença no mercado brasileiro.

Em 2010, o UBS se lançou no mercado brasileiro ao adquirir a corretora Link Investimentos. Já em 2006, o banco havia feito uma primeira tentativa, ao comprar o Banco Pactual. Mas diante da crise de 2008 e 2009, a instituição acabou se desfazendo dos investimentos no Brasil. Agora, a meta é a de transformar o mercado brasileiro em seu novo eldorado.

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