UBS compra a corretora Link e volta ao Brasil

Um ano após sair do Brasil com a venda do Pactual, banco suíço retorna ao País e já tem planos de abertura de um banco de investimentos

Jamil Chade, correspondente em Genebra com Altamiro Silva Júnior da Agência Estado, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2010 | 00h00

Um ano após vender o Pactual no Brasil para o banqueiro André Esteves, em um negócio de US$ 2,5 bilhões, o UBS está de volta ao Brasil. O banco suíço anunciou a compra da corretora Link Investimentos por R$ 195 milhões, e deixou claro que seu próximo passo é abrir um banco de investimentos no País.

Os executivos do UBS deixaram claro que a venda do Pactual no ano passado teve como único objetivo conseguir capital para o banco, que atravessava um momento muito ruim. Em 2008, o UBS teve perda de US$ 17,83 bilhões, a maior da história de uma empresa a Suíça.

Agora, com lucro no primeiro trimestre de 2010 - o primeiro em três anos -, o banco voltou a pensar em sua expansão. "O Brasil representa dois terços da economia da América Latina e a expectativa é de que seja a quinta maior economia do mundo em 2015", afirmou Carsten Kengeter, co-CEO do UBS Investment Bank. "É crucial que tenhamos capacidade local para servir nossos clientes em um mercado globalmente importante como o Brasil", disse.

"Vemos o Brasil como um mercado estrategicamente importante, com um potencial de crescimento significativo", disse Alex Wilmot-Sitwell, também co-CEO do UBS Investment Bank. "A aquisição da Link Investimentos nos dá a plataforma para reconstruir nossa presença e nos expandir no Brasil."

Nova estrutura. Para Raul Esquivel, chefe do UBS para a América Latina, a meta é possibilitar que os clientes do banco se beneficiem da nova estrutura da instituição no Brasil, além de novos produtos e serviços que poderão ser oferecidos. O UBS quer ter um banco de investimento completo no Brasil, e também fazer gestão de fundos e de fortunas (wealth management), braço de negócios no qual o suíço é o maior do mundo.

Segundo Esquivel, o UBS vai entrar agora com pedido de licença no Banco Central para a abertura do banco. Quer atuar no mercado de capitais, coordenar emissões (internas e externas) e fusões e aquisições. "Vamos contratar executivos no mercado."

O UBS pretende explorar no Brasil as áreas em que é forte no resto do mundo. Nesse contexto, o banco optou por não comprar o Home Broker da Link, que permite negociações com ações pela internet por pessoas físicas. "Não é nosso foco global", diz o executivo. O banco está interessado em pessoas físicas, mas quer um público de alta renda, e não o varejo.

Após aprovação da operação pelo Banco Central, o nome Link desaparece e será substituído pelo UBS. Daniel Mendonça de Barros, um dos criadores da corretora há 12 anos e atual presidente da Link, será o chefe da corretora do banco no Brasil. Além de Daniel, outros três sócios fundadores permanecem no UBS - Marcello Mendonça de Barros, Norberto Giangrande Junior e Fred Meinberg.

Sobre o pagamento da aquisição, que custou R$ 195 milhões ao UBS, Daniel não revela se o valor será pago em dinheiro ou em ações. Segundo ele, foi o UBS que procurou a Link em novembro do ano passado. Outros bancos também chegaram a procurar a corretora.

Para lembrar

Banco voltou ao lucro após três anos

A crise financeira internacional teve um papel decisivo na decisão do banco suíço UBS de vender sua filial brasileira Pactual. Com a retomada dos lucros, o mercado brasileiro voltou a interessar. Quando o Pactual foi comprado em 2006 por US$ 2,5 bilhões, o UBS insistia que a aquisição era uma estratégia do banco para ampliar sua presença em mercados emergentes, o mesmo argumento utilizado agora para a nova aquisição.

Mas sua venda em 2009 e a saída do Brasil acabaram se transformando em uma das primeiras medidas do ex-CEO, Oswald Gruebel, de reduzir o tamanho do banco e diminuir a exposição ao risco. O UBS vinha sofrendo uma hemorragia sem precedentes, com a fuga de correntistas. Em menos de dois anos, demitiu quase 19 mil pessoas e teve de ser socorrido pelo Estado suíço.

Há duas semanas, porém, o banco anunciou o maior saldo positivo em suas contas em três anos, e certamente o melhor resultado desde a eclosão da crise. O UBS registrou lucro de US$ 2,3 bilhões. A fuga de capitais também diminuiu. No primeiro trimestre, o banco perdeu "apenas" US$ 17 bilhões de seus correntistas. No final de 2009, a fuga de capitais foi de mais de US$ 50 bilhões.

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