UBS firma acordo com os EUA

Governo americano e banco suíço chegam a um consenso sobre envio de informações de clientes

EFE, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2009 | 00h00

O governo dos Estados Unidos e o banco suíço UBS chegaram a um acordo no processo que apura a sonegação de impostos envolvendo milhares de clientes americanos. O procurador da divisão tributária do Departamento de Justiça dos EUA, Stuart Gibson, fez ontem o comunicado ao juiz do caso, Alan Gold, por meio de uma teleconferência. Mas o teor do acerto não foi divulgado.O governo americano quer informações do UBS sobre 52 mil clientes americanos suspeitos de sonegar impostos com contas em paraísos fiscais.Gibson confirmou o acordo, mas ressaltou que "precisarão de algum tempo" para redigir o documento final. Na sexta-feira, o procurador já havia anunciado um princípio de acordo, mas pediu ao juiz mais tempo para formalizá-lo.O acerto facilita a resolução do litígio entre EUA e Suíça com o UBS fora dos tribunais e agradou o governo suíço e o UBS. A ministra da Justiça suíça, Eveline Widmer-Schlumpf, considerou a decisão como um "êxito" e disse ter "constatado com satisfação que foi possível solucionar esse assunto com um compromisso dos dois Estados de direito soberano, o que é de interesse dos dois Estados".Já o presidente do UBS, Kaspar Villiger, disse em nota que o Conselho de Administração e a Direção da empresa "são gratos pelo acordo alcançado pelos dois governos para resolver este assunto, e agradecem ao governo suíço e à delegação suíça que negociou o acordo por seus esforços".No entanto, Villiger lembrou que, "a pedido dos governos dos EUA e da Suíça, o UBS se comprometeu a não revelar nada sobre o acordo, que será assinado em breve".O governo americano e o banco estão em negociação há semanas. E desde que as partes reconheceram estar perto de chegar a um acordo, as ações do UBS tiveram uma forte alta tanto em Wall Street, quanto na Bolsa de Valores de Zurique.O acordo final anunciado ontem é consequência de um primeiro pacto alcançado em fevereiro, pelo qual o banco suíço aceitou pagar US$ 780 milhões e entregar os nomes de cerca de 300 clientes com contas secretas offshore para evitar um julgamento por ter ajudado cidadãos americanos a sonegar impostos.Além disso, o UBS prometeu encerrar seus negócios offshore com clientes americanos. Três deles se declararam culpados de terem apresentado falsas declarações de impostos. Os Estados Unidos exigiram da entidade financeira dados adicionais sobre outros milhares de clientes americanos, um passo que gerou um grande debate na Suíça, que vê ameaças sobre sua garantia de sigilo bancário, o pilar dos bancos desse país.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.