UBS pagará US$ 1,5 bi para encerrar caso Libor

Banco suíço é o segundo a fazer acordo com autoridades de vários países, declarando-se culpado por fraudes de manipulação de taxas de juros

LONDRES, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2012 | 02h03

O suíço UBS se tornou o segundo banco a encerrar acusações de tentativa de manipulação de taxas de juros de referência, concordando em pagar cerca de US$ 1,5 bilhão para autoridades de vários países.

Como parte do acordo, o UBS informou que alguns de seus funcionários tentaram manipular a taxa interbancária Libor assim como outras taxas de referência, que juntas servem de base para os juros de centenas de milhões de dólares em contratos financeiros ao redor do mundo.

A unidade do UBS no Japão, onde ocorreram muitas das tentativas de manipulação, declarou-se culpada em uma das acusações de fraude relacionada à manipulação das taxas de juros de referência, incluindo a Libor em iene.

Nos Estados Unidos, as autoridades judiciárias deverão prender pessoas ligadas ao UBS, o que deve representar a primeira vez que alguém enfrenta penas criminais decorrentes da longa investigação sobre a fixação de taxas, segundo fontes.

Primeiro de uma série. O acordo do UBS - fechado com o Departamento de Justiça e a Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, a Autoridade de Serviços Financeiros (FSA, em inglês) do Reino Unido e a Autoridade de Supervisão de Mercado Financeiro Suíço - deve ser o primeiro de uma série entre grandes bancos e reguladores a serem fechados nos próximos meses.

Até hoje, o Barclays havia sido o único banco a encerrar as acusações de tentativa de manipulação das taxas de juros de referência. Em junho, a instituição pagou cerca de US$ 450 milhões para dar fim às investigações.

O UBS pagará uma multa mais de três vezes maior do que o montante pago pelo Barclays, apesar de ter alcançado, anteriormente, acordos parciais de imunidade com as autoridades americanas e de outros países.

O tamanho da penalidade reflete parcialmente a convicção das autoridades de que o banco suíço estava próximo ao centro do escândalo, com empregados ajudando a coordenar as tentativas de manipulação de taxas em outros bancos, segundo fontes.

As investigações sobre as tentativas dos bancos de manipular as taxas de juros começaram em 2008, depois que artigos do Wall Street Journal levantaram questões sobre a confiabilidade da Libor. Desde então, o caso cresceu rapidamente e se tornou um dos escândalos financeiros mais controversos dos últimos tempos.

A expectativa é que o Royal Bank of Scotland (RBS) será o próximo a resolver as acusações, com um acordo esperado para o começo de 2013, de acordo com fontes. / DOW JONES NEWSWIRES

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.