Ucrânia vive pior crise econômica desde a 2ª Guerra Mundial

PIB do país sofreu uma contração de 7,5% em 2014, depois de sofrer invasão na região leste e perder a Crimeia

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

30 Dezembro 2014 | 12h30

GENEBRA - A economia ucraniana tem seu pior ano desde a Segunda Guerra Mundial. Dados divulgados hoje em Kiev revelam que o PIB do país sofreu uma contração de 7,5% em 2014, depois de ver sua região leste invadida, registrar a perda da Crimeia e ainda viver uma revolução sangrenta. 


"Nosso país não conhecia um ano assim desde a Segunda Guerra Mundial", declarou a governadora do Banco Central ucraniano, Valeria Gontareva. 


A situação econômica não se limita à queda de produção. Diante da deterioração das reservas do país, a taxa de inflação registrou um importante salto e, em 2014, ela ficou acima de 21%. "O que ocorreu este ano jamais voltará a se reproduzir", estimou Valeria. 


Os dados foram apresentados depois que o Parlamento aprovou um orçamento que visa dar demonstrações ao FMI de que o país está disposto a fazer esforços em direção à austeridade, em troca de um pacote de apoio. 


As reservas nacionais foram cortadas pela metade e, pela primeira vez, ficaram abaixo de US$ 10 bilhões. O dinheiro foi usado para financiar a guerra no leste do país e para sustentar a moeda nacional, em franca queda. 


Mas não é só a Ucrânia que sofre. Do outro lado da fronteira, a economia russa da os primeiros sinais de que pode estar caminhando para uma recessão, enfraquecendo as pretensões do governo de resistir às pressões do Ocidente por conta da crise na Ucrânia. Dados oficiais do governo indicam que, em novembro, o PIB russo sofreu uma contração de 0,5%, a primeira queda desde outubro de 2009 e a primeira desde o auge da crise financeira. 


Para 2015, Moscou prevê uma queda do PIB de 0,8%, depois de crescer 0,6% em 2014, o pior resultado em quatro anos.


Afetada pela queda nos presos do barril do petróleo e diante das sanções do Ocidente por conta da crise na Ucrânia, a Rússia já sente uma reviravolta em sua economia. Segundo o próprio ministério das Finanças, se o barril ficar abaixo de US$ 60,00 em 2015, a economia deve se contrair em 4% no ano. 


Mas não é apenas o petróleo que promete afetar a economia russa. As sanções ocidentais afetam ainda bancos e os setores ligados aos oligarcas que apoiam o Kremlin.


Ontem, o presidente ucraniano, Petro Porochenko, anunciou para o dia 15 de janeiro em Astana uma reunião com a chanceler alemã Angela Merkel, o francês François Hollande e o russo Vladimir Poutine.  


Mas enquanto uma solução não é dada para a crise militar, as informações oficiais do PIB tiveram um impacto no mercado. O rublo perdeu mais 6% de seu valor em relação ao dólar. No ano, a moeda russa já perdeu metade de seu valor.


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