UDR quer lista de fazendas credenciadas a exportar carne

Segundo o presidente da entidade ruralista, governo já deveria ter divulgado a relação das propriedades

José Maria Tomazela, de O Estado de S. Paulo,

23 de fevereiro de 2008 | 12h49

A União Democrática Ruralista (UDR), entidade que representa fazendeiros de todo o Brasil, declarou que vai pedir oficialmente ao Ministério da Agricultura a lista enviada à União Européia das fazendas consideradas aptas a exportar a carne brasileira. De acordo com o presidente Luiz Antonio Nabhan Garcia, o governo já deveria ter divulgado a relação das propriedades. Na sexta-feira, 22, o Ministério enviou às autoridades européias uma lista com menos de 200 fazendas que, segundo o governo, cumprem as regras da rastreabilidade definidas pelo bloco europeu.  A indefinição do Ministério, que anteriormente havia apresentado uma lista bem mais extensa, gera um clima de especulação e intranqüiliza o setor, segundo Garcia. "O governo não se define: numa hora são 300 fazendas, depois se muda para menos de 200." Desde o início do processo, a relação das propriedades não foi divulgada publicamente, segundo Garcia. "Poderia estar no site do Ministério, mas não está." Ele disse não entender a razão do sigilo. "Se a minha fazenda está na lista, eu gostaria de saber e não vejo nenhum mal em que o mercado saiba."  O presidente da UDR demonstrou desconfiança em relação aos propósitos da reserva na divulgação da listagem. A falta de transparência, segundo ele, pode beneficiar determinados frigoríficos que, eventualmente, consigam acesso às fazendas escolhidas. "A carne para a União Européia é vendida a preço bem acima daquele praticado internamente, mas o frigorífico pode não repassar esse adicional para o produtor."  A entidade é contrária à limitação no número das propriedades aptas a exportar para a Europa. "Consideramos uma arbitrariedade, uma imposição descabida." No entanto, segundo Garcia, se o governo vai acatar o limite imposto pela UE, ao menos deve dar ampla publicidade às fazendas credenciadas em nome do interesse público. "Não há nada que justifique o sigilo." Caso o Ministério não divulgue a lista, a UDR pretende fazer a solicitação através da justiça.

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