UE acena com novo pacote de socorro

Bolsas sobem, mas depois recuam porque ministro alemão afirma que seu país continua contra o aumento de recursos do fundo europeu

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS , O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2011 | 03h03

A União Europeia viveu ontem um dos dias mais confusos desde o início da crise das dívidas soberanas, em dezembro de 2009. Impulsionados por informações sobre novas atribuições e o aumento dos recursos do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (Feef) para € 2 trilhões, os mercados financeiros fecharam em alta.

As especulações sobre as negociações de um acordo para debelar a crise na Grécia tiveram início no fim de semana, em Washington, após as reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e dos ministros da Economia do G-20.

Os rumores mais persistentes dão conta de uma negociação em torno de três medidas: o corte - ou "haircut" - de 50% do valor dos títulos de dívidas da Grécia em poder de investidores privados, o que na prática representa um calote parcial; o aumento dos recursos do Feef dos atuais € 440 milhões para € 2 trilhões; e reforço do capital dos maiores bancos do continente, grandes detentores de títulos de dívidas de países em crise - como Grécia, Portugal, Espanha e Itália.

Reunião do G-20. O acordo seria negociado nas próximas cinco semanas e seria fechado em tempo de ser anunciado na reunião do G-20 de Cannes, em 3 e 4 de novembro. Pela manhã, uma entrevista do comissário europeu de Finanças, Olli Rehn, ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung reforçou a expectativa. Ele admitia que a UE analisa o reforço dos recursos e das atribuições do Feef.

"Nós refletimos sobre a possibilidade de dotar o Feef de um poder de alavancagem maior para lhe conferir mais força", disse Rehn. O executivo adiantou ainda que a UE prepara a recapitalização do sistema financeiro.

Somados, os rumores sobre um acordo e as declarações de Rehn provocaram euforia nas bolsas, que subiram acima de 3% até o meio-dia. Títulos de bancos que despencavam na semana passada tiveram altas de 6,5% a 7,7% até o meio da sessão.

Desmentidos. Ao longo do dia, entretanto, vários desmentidos reduziram o ânimo dos investidores. À imprensa espanhola, Wolfgang Schäuble, ministro de Finanças da Alemanha, disse que o país continua contra o aumento dos recursos do Feef.

No fim do dia, outro alemão, o presidente do Bundesbank - o banco central da Alemanha -, Jens Weidman, fez um discurso em Washington no qual afirmou que o plano de socorro da Grécia está "condenado ao fracasso" e novas medidas são necessárias.

O resultado das declarações contraditórias foi a redução do entusiasmo nos mercados. Em Londres, o índice FTSE 100 subiu 0,45%, enquanto em Paris se limitou a 1,75%. O melhor resultado veio de Frankfurt, com ganhos de 2,87%. Já o índice do sistema bancário, o Stoxx Europe 600 Banks, subiu mais: 3,81%. No Brasil, a Bolsa de São Paulo (Bovespa) subiu 0,97%.

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