UE ameaça reagir contra tarifa americana para o aço

Se a condenação da política de subsídios dos Estados Unidos, anunciada no início da semana pela Organização Mundial do Comércio (OMC), abalou as relações entre Washington e a União Européia (UE), o clima entre os dois principais parceiros comerciais do mundo pode ficar ainda mais tenso nos próximos meses. Hoje, o comissário de comércio da UE, Pascal Lamy, afirmou que os europeus não ficarão de braços cruzados caso os Estados Unidos decidam subir a tarifa de importação para aço. Em fevereiro, o governo Bush deverá decidir se baixará medidas protecionistas para que dificultar as importações de produtos siderúrgicos. Para Lamy, uma nova taxação não é aceitável. "Os Estados Unidos têm problema de competitividade e não vamos pagar por isso", afirmou o europeu. Nos últimos anos, o setor siderúrgico norte-americano não conseguiu se adaptar à concorrência internacional, e os trabalhadores do setor têm feito pressão em Washington para que o mercado nacional seja protegido. Apesar de não dar detalhes, o comissário (cargo equivalente ao de ministro do comércio da UE) afirmou que a Europa irá "tomar as medidas necessárias" se Washington seguir adiante com a idéia de impor barreiras. Uma das possibilidades seria apresentar uma queixa na OMC, o que deixaria aos árbitros internacionais o trabalho de julgar a política de Washington. Outra possibilidade para a UE seria aplicar a sanção de US$ 4 bilhões, como represália aos prejuízos que as empresas européias tiveram diante da política de subsídios dos Estados Unidos, condenada pela OMC na segunda-feira passada. Nesse caso, todo o comercial mundial em 2002 poderia ser afetado.

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