UE aprova 37 bi para os bancos espanhóis

Dinheiro só foi liberado depois que duras condições foram impostas ao governo da Espanha, que incluem a demissão de cerca de 10 mil pessoas

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 02h06

A União Europeia aprovou um resgate de 37 bilhões para o sistema financeiro espanhol. Mas, ao contrário do que o governo de Mariano Rajoy insistia em argumentar, o dinheiro só foi liberado depois que duras condições foram impostas sobre a Espanha.

Os bancos terão de promover uma demissão generalizada, na maior reestruturação de instituições financeiras na Europa desde o início da crise, e passarão por uma redução radical do tamanho. Além disso, acionistas terão perdas de até 10 bilhões.

O anúncio provocou uma queda significativa no risco país da Espanha - abaixo dos 400 pontos, pela primeira vez em mais de um mês -, numa reação de alívio do mercado, ainda que analistas acreditem que o volume do resgate ainda não é suficiente para sanear o sistema financeiro. Como no caso grego, o temor é de que o efeito analgésico no mercado tenha prazo curto.

A liberação do pacote exigirá a venda de bancos, fechamento de metade das agências, a demissão de cerca de 10 mil pessoas e uma redefinição do papel das instituições. Isso, segundo Bruxelas, garantiria que elas tenham condições de pagar os empréstimos.

O valor é bem inferior ao que a Europa ofereceu à Espanha em meados do ano. Em junho, Bruxelas dizia estar disposta a injetar 100 bilhões no País. Por meses, o governo de Rajoy evitou pedir o resgate, em parte para não sucumbir às regras da UE. Agora, seu governo admitiu que os bancos terão de ser socorridos: 17,9 bilhões vão para o Bankia; o Catalunya Banc ficará com 9 bilhões, 5,4 bilhões vão para o NCG e 4,5 bilhões para o Banco de Valência.

Essas quatro instituições haviam sido nacionalizados num esforço do governo para evitar um colapso financeiro do país. Mas, para que sejam revendidos, precisariam ser saneados.

A esperança do comissário de Concorrência da UE, Joaquin Almunia, é de que o novo dinheiro represente um ponto de virada na crise espanhola. Bancos foram engolidos pela implosão da bolha imobiliária e levaram toda a economia a um estado crítico ao fechar suas torneiras e não oferecer empréstimos. Empresas fecharam as portas, o consumo desabou e hoje a Espanha tem a maior taxa de desemprego entre os países ricos.

O dinheiro do resgate virá do Mecanismo Europeu de Estabilização. "A aprovação é um marco", disse Almunia. "Nosso objetivo é o de restaurar a viabilidade dos bancos para que possam funcionar sem a ajuda do Estado."

O pacote é um golpe duro ao governo espanhol que, desde junho, insistia que não se tratava de um resgate como o que Grécia, Portugal e Irlanda haviam recebido. Bruxelas, porém, deixou claro ontem que se trata de um resgate, advertiu que o governo é o responsável final e acrescentou que as condições impostas terão de ser cumpridas, muitas delas com forte impacto social.

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