UE compensará avicultores por impacto da gripe aviária no consumo

Os países da União Européia poderão contar com dinheiro do bloco para compensar a seus avicultores pelas fortes quedas nos preços e no consumo de aves provocadas pela gripe aviária, embora apenas três Estados-membros tenham detectado a doença em suas fazendas. Os 25 respaldaram a possibilidade de custear com o orçamento da UE até 50% das perdas de modo a ajudar os produtores de carne e ovos de aves, cujas vendas caíram nos últimos meses por causa do alarme provocado pela gripe. Por enquanto, o vírus H5N1 - altamente patogênico - da doença foi detectado em aves silvestres em 13 países da UE. Em apenas três países - Suécia, França e Alemanha -, o vírus foi registrado em criadouros comerciais de aves. No entanto, as notáveis quedas de preços e as reivindicações de muitos países fizeram que em um mês, tempo recorde dentro do habitual processo legislativo da UE, a Comissão Européia (CE) e os 25 chegassem a um acordo para proteger seu setor avícola. Os Governos proporão a Bruxelas as ajudas necessárias, que serão autorizadas caso a caso, após passarem pelo Comitê de Gestão da UE, formado por analistas dos Estados-membros. A CE cedeu às reivindicações de Itália e França pelo recebimento de fundos do bloco em casos de perdas relacionadas às alterações do mercado anteriores à decisão de hoje. No entanto, esta retroatividade, que poderia beneficiar outros países, "não será automática", mas será analisada segundo cada expediente, explicou a comissária européia de Agricultura, Mariann Fischer Boel. Além disso, Fischer Boel instou os países a agirem rapidamente e afirmou que quem apresentar antes sua solicitação, receberá antes as ajudas. Pedido espanhol A Espanha e outros nove países tinham reivindicado que o co-financiamento chegasse a 100% da ajuda, mas aceitaram as explicações da CE, que alegou que desde 1994 as ajudas excepcionais derivadas de problemas veterinários contavam com uma contribuição da UE de 50%. A ministra espanhola de Agricultura, Elena Espinosa, disse que entrará em contato com o setor para enviar sua solicitação de ajuda à Comissão o mais rápido possível. Segundo Espinosa, agora, trata-se de estudar quais são as melhores medidas. Ela defendeu a concessão de ajuda temporária e curta, porque a situação do mercado muda e se em um momento, por exemplo, é idôneo congelar frangos, pode ser que depois seja mais conveniente destruir ovos. Medidas e conseqüências A decisão de hoje afeta atuações de mercado, pois as despesas veterinárias quando surge um foco já estão cobertas em 50% por fundos da UE. Espinosa disse que o acordo é um bom início, pois a médio e longo prazos se garante o apoio aos avicultores "em situações indesejadas" que poderiam piorar se a gripe se expandir e se continuar a diminuição de preços. Na Espanha, o consumo de aves caiu 10% e os preços, 14,5% nos últimos 12 meses, quedas mais moderadas do que as registradas na Itália (-63%) e Portugal (-37%).

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