Thierry Roge/Reuters
Thierry Roge/Reuters

UE condiciona liberação de socorro à Grécia

País precisa aprovar medidas de austeridade para receber quinta parcela do primeiro empréstimo e para que um novo pacote seja negociado

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / PARIS

A União Europeia aumentou ontem a pressão sobre a Grécia e condicionou um novo plano de socorro à adoção de reformas e de novas medidas de austeridade fiscal nas próximas duas semanas. O ultimato foi anunciado pelo presidente do Fórum de Ministros de Finanças da UE (Eurogrupo), Jean-Claude Juncker, na noite de ontem, em Luxemburgo.

Segundo ele, técnicos europeus e do Fundo Monetário Internacional (FMI) vão a Atenas acompanhar as negociações no Parlamento. Com a data limite, a decisão sobre o socorro deve ser adiada para 3 de julho, quando ocorrerá um novo encontro do Eurogrupo.

De acordo com Juncker, mesmo a liberação da nova parcela de ? 12 bilhões do primeiro empréstimo - que soma ? 110 bilhões - está condicionada à aprovação das medidas de rigor em Atenas. Sem a injeção de recursos, é consenso na Europa de que a Grécia terá de declarar moratória por não conseguir honrar os vencimentos dos títulos de sua dívida soberana. "A aprovação do Parlamento grego é absolutamente essencial e ela chegará a tempo para que possamos tomar uma decisão em 3 de julho", disse Juncker.

Em comunicado, o novo ministro de Finanças da Grécia, Evangelos Venizelos, reafirmou que o governo de Georges Papandreou fará todo o possível para obter a aprovação das medidas no legislativo. "Cada dia conta e nós não podemos nos permitir perder nem mesmo uma hora," afirmou Venizelos, deixando clara a urgência da necessidade de ajuda ao país.

Para acompanhar as negociações, os economistas da UE, do Banco Central Europeu (BCE) e do FMI chegarão hoje a Atenas para uma "visita técnica". A presença dos representantes de Bruxelas no país, entretanto, exaspera os segmentos mais radicais da sociedade grega, que pregam o fim dos planos de austeridade. Ontem, milhares de manifestantes se reuniram na Praça Syntagma, em frente ao Parlamento, para protestar contra o rigor fiscal e o programa de privatizações, de ? 50 bilhões.

Os manifestantes farão vigília até o início da noite de hoje, quando os deputados devem aprovar um voto de confiança ao governo Papandreou - outra exigência da UE para continuar a negociar. A expectativa é de que a base de apoio ao governo, liderada pelo Partido Socialista (Pasok), que conta com 155 dos 300 deputados do país, obtenha a menção de apoio também com votos da oposição.

Além do plano de austeridade, o governo grego - em busca de apoio da opinião pública - confirmou na noite de ontem que convocará um referendo, em setembro, com o objetivo de encaminhar uma reforma constitucional. Segundo o governo Papandreou, "a reforma incluirá prioritariamente o sistema político em si e os problemas que ele enfrenta".

Investidores. Enquanto a Grécia é pressionada "a fazer sua parte", na Europa os líderes da Alemanha, Angela Merkel, e da França, Nicolas Sarkozy, assim como ministros de Finanças do G-7, devem iniciar discussões com os principais credores privados do país com o intuito de convencê-los a alongar os prazos de vencimento de seus títulos. Até 2014, ? 80 bilhões em obrigações da dívida grega vão vencer. C

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