Wolfgang Rattay/Reuters
Wolfgang Rattay/Reuters

UE confirma que recebeu novas propostas da Grécia para resolver dívida

Grécia propôs aumentar a meta de superávit primário para 0,75% do PIB em 2015, nível inferior ao pedido pelos credores, mas superior ao que foi inicialmente sugerido pelos gregos

André Ítalo Rocha, O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2015 | 09h31

SÃO PAULO - A Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, confirmou nesta terça-feira, 9, que recebeu novas propostas do governo grego para resolver o impasse sobre a situação financeira do país e disse que, agora, os credores internacionais precisam de tempo para estudá-las.

"As três instituições (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e União Europeia) estão avaliando estas sugestões com diligência e cuidado", disse Margaritis Schinas, um porta-voz para o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

A pressão para que a Grécia resolva a sua situação aumentou nos últimos dias. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou que o tempo da Grécia está se esgotando. Jà o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que a Grécia deve levar a sério as reformas que se comprometeu a fazer, mas que governo e credores precisam ter flexibilidade.

De acordo com duas autoridades europeias, as propostas da Grécia incluem um aumento da meta de superávit primário (economia do setor público para pagamento de juros da dívida), para 0,75% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015, 1,75% em 2016 e 2,5% em 2017. Segundo as autoridades, esses níveis são inferiores aos pedidos pelos credores, mas superiores aos que foram propostos inicialmente pelos gregos.

O documento também prevê o aumento das receitas do imposto sobre o valor acrescentado em relação à proposta inicial, disseram as autoridades, estimando que a receita do imposto deve chegar a 1,36 bilhão de euros em 2016. Os credores, no entanto, pedem uma mudança que gere arrecadação de 1,8 bilhão de euros, ou cerca de 1% do PIB.

Receio. As autoridades foram cautelosas sobre se a nova proposta da Grécia poderia formar a base para um acordo. Um deles disse que ainda faltavam pormenores sobre outras questões importantes em que os dois lados não concordam, incluindo revisões no mercado de trabalho. Além disso, esta segunda proposta sugere uma "migração" da dívida grega, atualmente detida por bancos da zona do euro, a "outras partes", incluindo o fundo de resgate da região, o Mecanismo Europeu de Estabilidade.

Alexis Tsipras, o primeiro-ministro da Grécia, estará em Bruxelas na quarta-feira para uma reunião de líderes da UE e da América Latina. Schinas, o porta-voz de Juncker, afirmou que não está claro se haverá um encontro entre Juncker e Tsipras e outros altos funcionários das instituições.

Na segunda-feira, o The Wall Street Journal informou que a Grécia e seus credores discutem uma extensão do programa de ajuda financeira até o fim de março de 2016, de acordo com pessoas familiarizadas com as discussões. Porém, desentendimentos sobre as condições enfraquecem as negociações. 

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