UE critica proposta de corte de subsídios agrícolas dos EUA

As autoridades da União Européia (UE) e produtores agrícolas do bloco criticam a proposta de corte de subsídios agrícolas dos Estados Unidos e alertam que se tudo o que Washington pode oferecer é isso, dificilmente as negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) poderão ser concluídas. Para os produtores europeus, a iniciativa da Casa Branca significa que, na prática, os agricultores americanos poderiam receber até US$ 5 bilhões a mais nos próximos cinco anos em comparação ao que receberam desde 2002.Nesta quinta-feira, a UE criticou a proposta de política agrícola americana divulgada um dia antes pela Casa Branca e que prevê, segundo cálculos do próprio governo, cortes de US$ 18 bilhões em subsídios em cinco anos. Para os europeus, a redução é "insuficiente". "Se quisermos ter um resultado positivo da Rodada Doha, os Estados Unidos terão de propor um corte mais ambicioso de seus subsídios e maiores disciplinas sobre como são distribuídos os recursos", afirmou Michael Mann, porta-voz da Europa para assuntos agrícolas.Os europeus condicionam uma maior abertura de seu próprio mercado a um esforço considerado como equivalente pelos americanos no setor de subsídios. Isso porque os europeus temem que, se cortarem apenas suas tarifas, o que ocorrerá é que estarão facilitando a entrada de produtos subsidiados dos Estados Unidos ao seu mercado. Mas os europeus dão claras indicações que, diante da proposta americana, não estão dispostos a fazer qualquer concessão. Segundo Mann, a nova proposta dos americanos não prevê cortes nos subsídios nos setores de açúcar e de leite, o que significa que as medidas que distorcem o comércio poderiam continuar válidas até 2011. "Os principais programas de apoio continuam intocados", disse Mann. Além disso, os cortes nos empréstimos são "extremamente modestos". Outro problema é que a iniciativa americana prevê que não haveria uma queda nos preços das commodities. Nos Estados Unidos, se isso ocorrer, uma série de mecanismos são acionados para ajudar os produtores. O porta-voz da UE afirmou que o bloco espera que a proposta da Casa Branca ainda seja modificada, mas admitiu que os 27 países do bloco esperavam um sinal mais claro dos americanos de que estariam dispostos a reduzir suas medidas protecionistas. O Estado apurou que Pascal Lamy, diretor da OMC, afirmou a observadores em Genebra de que há pelo menos sinais na proposta de uma mudança na forma de distribuição de alguns subsídios. A principal delas é que o dinheiro não seria dado com base na produção, mas sim em um critério fixo. Dessa forma, se evitaria excessos de produção e distorções no mercado. PerdasJá os agricultores europeus não pouparam os americanos. Segundo a poderosa Associação de Cooperativas (Copa), a proposta da Casa Branca vai contra os objetivos da OMC. "Ou os americanos não estão sérios em relação ao futuro da OMC ou quer um acordo que prejudique a todos, menos a eles mesmos", afirmou Rudolf Schwarzbock, presidente da entidade. "Esperamos por meses uma resposta americana e, agora, vemos algo que na prática dará US$ 5 bilhões a mais aos produtores", disse. Pelos cálculos dos europeus, esse aumento ocorreria graças ao mecanismo que garante um preço mínimo a todas as commodities. "Isso vai permitir que continuem exportando, enquanto os fazendeiros do resto do mundo continuam sofrendo com a queda nos preços dos produtos", afirmou Schwarzbock. A entidade prevê perdas de 37 bilhões de euros diante de um acordo nessas bases, além de uma queda na renda agrícola de 25%. Diante das perdas, os produtores alertam que não há porque ter uma nova oferta de corte de tarifas por parte das autoridades européias.Matéria alterada às 18h para acréscimo de informações

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