UE defende mistura de biocombustíveis no combustível

Autoridades do bloco afirmam que proposta irá adiante mesmo com alertas sobre a alta dos alimentos

Deise Vieira, da Agência Estado,

14 de abril de 2008 | 12h12

Autoridades da União Européia (UE) defenderam nesta segunda-feira, 14, a proposta para expandir o uso de biocombustíveis, mesmo em meio a críticas de que a produção está causando a disparada dos preços dos alimentos e aumentando a fome nos países mais pobres do mundo. O bloco propôs que cada um de seus 27 países membros adote o uso de 10% de biocombustível no combustível destinado ao transporte até 2020. Veja também:Uso de biocombustíveis é crime contra a humanidade, diz ONUMantega culpa subsídio de países ricos por inflação de alimentosLíderes mundiais pedem urgência contra inflação de alimentosPara FMI, alta dos preços ameaça estabilidade política  Álcool brasileiro tem menos impacto em alimentos, diz Bird  Especial sobre a crise de alimentos Celso Ming explica a alta da inflação  Economia global vive situação entre 'gelo e fogo', diz FMIProdução maior é saída contra inflação, diz LulaONU pede medidas urgentes contra inflação de alimentosEntenda os principais índices de inflação  Segundo as autoridades, a UE irá adiante com a proposta, mesmo em meio aos alertas feitos por líderes mundiais durante um encontro do Banco Mundial (Bird) no fim de semana sobre o impacto dos biocombustíveis nos preços dos alimentos. "No momento, não há hipótese de suspendermos a meta de biocombustível", afirmou Barbara Helfferich, porta-voz da Comissão Européia sobre o meio ambiente. A proposta de biocombustíveis do bloco europeu, ao contrário de mandatos dos Estados Unidos, não fará com que produtores limitem sua produção de alimentos, de acordo com Michael Mann, porta-voz de agricultura da comissão. "Realmente não vemos um perigo enorme, dentro do contexto da UE, de uma grande mudança da produção de alimentos para a produção de biocombustível", disse Mann. O bloco acredita que a melhoria da produtividade agrícola permitirá ao continente satisfazer a crescente demanda por culturas que servem de matéria-prima para a produção de biocombustíveis sem prejudicar a oferta de alimentos. O aumento na produtividade deve ser particularmente acentuado em países das áreas Central e Leste da Europa, onde a produtividade agrícola diminuiu significativamente após o colapso da União Soviética.

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