UE descarta decisões imediatas e frusta expectativa com cúpula do G-20

A grande expectativa prática deste encontro no México era fazer a Europa se movimentar de forma mais rápida e pontual para resolver seus problemas

Denise Chrispim Marin, de O Estado de S. Paulo,

18 de junho de 2012 | 15h56

SAN JOSÉ DE LOS CABOS - Antes de a cúpula do G20 ser oficialmente aberta, na tarde de segunda-feira, 18, a União Europeia já frustrava qualquer esperança na sua tomada de decisões rápidas para aliviar as crises bancária e da dívida na zona do euro. Os presidentes da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e o do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, advertiram não haver possibilidade de haver decisões no final deste mês, durante a reunião dos líderes do bloco em Bruxelas, sobre os mecanismos de socorro aos bancos e de unificação das dívidas soberanas de países da região.

A única expectativa prática deste encontro do G20, em San José de los Cabos, era fazer a Europa se movimentar de forma mais rápida e pontual para resolver seus problemas. O objetivo urgente era evitar o contágio da economia e do sistema financeiro mundial. O rascunho do documento a ser assinado pelos líderes do G20 na terça-feira, traz um claro apelo para a Europa tomar "todas as medidas políticas necessárias".

"Não vamos tomar decisões definitivas em junho", afirmou Van Rompuy, referindo-se à reunião de cúpula europeia de Bruxelas. "Nem todos os membros do G20 são democracias. Nós somos e isso significa que se toma mais tempo para a tomada de decisões e para o consenso. Somos muito orgulhosos do nosso modelo", completou Barroso.

Ambos explicaram que a unificação das dívidas vai requerer reformas no tratado da União Europeia e em legislações nacionais. Esse objetivo, afirmou Barroso, tornará a integração mais profunda e será essencial para a estabilidade, no futuro. Mas, assim como é um caminho de longo prazo, não responde à urgência de maior crescimento da economia regional.

Tempo também será necessário para a união bancária. Neste momento, reconheceu Barroso, será possível adotar medidas conjuntas de supervisão do setor. A discussão sobre a união, entretanto, envolverá debates nevrálgicos, como as diferentes idades mínimas de aposentadoria adotadas pelos países da região. No caso mais emergencial da Espanha, que recorreu à Europa para poder socorrer seus bancos com a injeção de 100 bilhões de euros há duas semanas, Barroso afirmou ainda não ter havido um pedido formal de Madri. Somente a partir dessa atitude, será possível determinar qual mecanismo desembolsará a ajuda.

Depois de apelar pela confiança do G20 nos passos já dados e nas próximas decisões da União Europeia, Barroso tentou desarmar qualquer nova pressão dos Estados Unidos por ações mais rápidas do continente. Lembrou que a União Europeia dá uma contribuição financeira muito maior do que a americana ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e que não foi, ao contrário dos EUA, o detonador da crise de 2008. A Europa, destacou ele, é o maior parceiro comercial da América. "Vamos ter de resolver a crise juntos."

Ao final de seu primeiro encontro bilateral, ontem, o presidente dos EUA, Barack Obama, preferiu não retomar seus recentes apelos para que a Europa alivie o ajuste nas contas públicas de seus parceiros, em favor de crescimento econômico em curto prazo. Mas colocou o tema sobre a mesa. "O mundo está muito preocupado com o ritmo mais lento de crescimento. Agora, é hora de estarmos seguros de que todos nós estamos fazendo o necessário para estabilizar o sistema financeiro mundial", afirmou Obama, ao lado do presidente do México, Felipe Calderón. "Vamos trabalhar com nossos parceiros europeus e com os outros países para contribuir para o crescimento econômico, a estabilização, e para que a confiança retorne aos mercados", completou.

Grécia

A reunião do G20 foi aberta sob a pressão dos mercados, não acalmados pelos resultados da vitória da Nova Democracia, liderada por Antonis Samaras, na eleição parlamentar grega de domingo, e ainda nervosos com a situação bancária espanhola. A Nova Democracia apresentou-se no pleito como coalizão decidida a manter a Grécia na União Europeia e na zona do euro. Mas, ontem, Itália e Espanha continuaram pressionadas pelos emprestadores a pagar rendimentos mais altos.

Ao desembarcar em San José de los Cabos, no domingo, a chanceler alemã, Angela Merkel, adiantou que não aceitará nenhum alívio nas medidas de austeridade fiscal e nas reformas prometidas pela Grécia. Os compromissos foram negociados, em março passado, como condição do pacote de socorro da União Europeia e do FMI ao país. Essa foi sua resposta ao pedido já feito por Samaras de renegociação de alguns pontos do acordo.

Obama, de mãos atadas para a solução desse impasse, mostrou-se mais diplomático. "A eleição da Grécia dá uma perspectiva positiva não apenas para a formação de um governo, mas também de que está trabalhando construtivamente com seus parceiros internacionais para continuar no caminho da reforma", afirmou.

 

Tudo o que sabemos sobre:
criseG-20euroGréciaEspanha

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.