UE deve inspecionar seis fazendas gaúchas até terça-feira

No total, 11 propriedades gaúchas estão na lista de fazendas aptas a fornecer carne para frigoríficos do bloco

Fabíola Salvador, Agência Estado

10 de março de 2008 | 12h36

Os técnicos europeus da União Européia (UE) que chegaram no domingo, 9, ao Rio Grande do Sul devem visitar seis fazendas gaúchas entre esta segunda e a terça-feira. Os nove técnicos devem se dividir em três grupos para a inspeção. Na quarta-feira desta semana, 12, os europeus devem seguir para Brasília, onde se reunirão, até o fim da semana, com técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária, para apresentar um balanço preliminar da visita.  Veja também: Falhas apontadas pela UE são repassadas ao governo Fiscais inspecionam tudo, dos animais às instalações  Criadores não querem mudança nas regras Quase 90% da exportação de carne à UE virá de Minas Gerais Veja a íntegra da lista   Um relatório oficial será elaborado em Bruxelas, na sede do bloco econômico europeu, e encaminhado ao Brasil em um prazo máximo de 45 dias, disse uma fonte do governo. A data da reunião em Brasília ainda não foi definida, mas a previsão inicial é que os europeus fiquem no Brasil até esta sexta-feira, 14.Desde o começo do mês, quando chegaram ao País, os europeus visitaram fazendas de pecuária de corte do Goiás, Mato Grosso, Espírito Santo e Minas Gerais, nessa ordem. O Rio Grande do Sul é o último estágio da visita de campo. No total, 11 propriedades gaúchas estão na lista de fazendas aptas a fornecer animais para os frigoríficos que abastecem o bloco.  Santa Catarina também faz parte da área habilitada para exportação, mas como não há frigoríficos catarinenses credenciados para a venda de carne para o bloco, os europeus optaram por não visitar fazendas locais. A inexistência de frigoríficos não impede que os pecuaristas catarinenses vendam animais para frigoríficos credenciados dos demais Estados. Desde o início da visita, os europeus, em comum acordo com técnicos do Ministério da Agricultura, resolveram cortar fazendas da última lista elaborada pelo governo. Das 106 fazendas, sete foram cortadas porque os europeus detectaram deficiências no Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov), o sistema de rastreabilidade.  Entenda a crise Em janeiro, os europeus barraram a carne nacional por questões sanitárias e, no dia 27 de fevereiro, voltaram a liberar o comércio apenas com as fazendas que seguiam os padrões estabelecidos por Bruxelas. As várias listas apresentadas pelo Brasil de fazendas foram motivo de polêmica tanto dentro da Europa como no governo brasileiro. O Itamaraty e o Ministério da Agricultura trocaram farpas sobre a estratégia a ser seguida e diplomatas chegaram a acusar o setor de estar prejudicando a imagem do Brasil e sua credibilidade com os europeus. Originalmente, os europeus haviam pedido uma lista com 300 fazendas. O governo apresentou 2.681 propriedades que não foi aceita pelos europeus. Uma segunda lista de 523 propriedades também foi recusada por Bruxelas. O Brasil aceitou apresentar uma lista com 150 fazendas. Mas parte dessas apresentaram problemas nos documentos e nos relatórios. Os europeus, nos bastidores, se queixaram de forma contundente contra a falta de informações sobre as propriedades que o Brasil teria certificado. Muitas nem sequer tinham o nome do dono da propriedade. A missão da FVO (Departamento de Alimentação e Veterinária da União Européia) apontou falhas no sistema brasileiro de rastreamento de gado como a principal preocupação da União Européia em relação à carne que compra do País.

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