UE deve ter dificuldade para cumprir meta de biocombustível

A União Européia pode não conseguir nemum terço de sua meta de uso de biocombustíveis produzidosinternamente no setor de transportes até 2020, e terá deimportar muito para atingir o objetivo, segundo um relatório daAgência de Desenvolvimento Européia (ADE). A UE quer que, até 2020, 10 por cento do combustível usadoem meios de transporte venha de fontes renováveis--principalmente biocombustíveis. Críticos dizem que a meta vaicontribuir para o desmatamento em países em desenvolvimento,além de ajudar a aumentar o preço dos alimentos. O relatório, visto pela Reuters e enviado aos 27países-membros do bloco, mostra que o cenário mais efetivo emtermos de custos e sustentabilidade seria aquele em que aprodução interna responderia por apenas 3,4 por cento doscombustíveis usados nos meios de transporte da UE. Uma porta-voz da ADE disse que o relatório ainda está nafase inicial e não será publicado antes de setembro. Um importante parlamentar da UE disse na sexta-feira quetem amplo apoio parlamentar para propor uma mudança nos planosda UE, estabelecendo que apenas 4 por cento dos combustíveisusados em transportes nas estradas venham de fontes renováveisaté 2020. Claude Turmes disse à Reuters que um quinto dessescombustíveis renováveis teria de ser biocombustíveis de segundageração ou veículos elétricos. Haveria uma grande revisão em2015 para decidir se a meta seria alterada para 8 a 10 porcento até 2020."Primeiro, isso desaceleraria a corrida por combustíveis nãosustentáveis, e então criaria um incentivo real para a segundageração de biocombustíveis", disse após uma reunião deministros de Energia da UE. BANCO MUNDIAL A polêmica em torno da meta européia é crescente devido aoaumento dos preços dos alimentos e aos temores de desmatamento. Um relatório confidencial do Banco Mundial citado no jornalbritânico Guardian na sexta-feira informou que osbiocombustíveis impulsionaram em até 75 por cento os preços dosalimentos -- muito mais do que havia sido estimadoanteriormente. A UE quer evitar esses efeitos indesejados, utilizandocritérios sociais e ambientais estritos, incluindo mecanismospara prevenir que as terras ricas em biodiversidade sejamusadas para a produção de biocombustível ou que o uso de terrasagricultáveis causem desmatamento. Uma carta conjunta de nações produtoras de biocombustíveis,enviada aos parlamentares da UE nesta semana, apóia a meta de10 por cento, dizendo que é a melhor maneira de estimular aprodução sustentável. A UE deve ser cautelosa ao mudar sua legislação em assuntosque ainda não são totalmente compreendidos, dizia a cartaassinada pelos embaixadores da Argentina, Brasil, Indonésia,Malauí, Malásia, Moçambique e África do Sul. "As questões sobre as quais ainda há um pouco de incerteza,como a mudança indireta do uso da terra, devem ser abordadasfuturamente, assim que houver provas científicas que permitamisso", dizia a carta vista pela Reuters. "As medidas que visam à proteção da biodiversidade devemser precisas e não se deve penalizar desproporcionalmente ospaíses ricos em biodiversidade com restrições amplas einjustificáveis ao uso de seus territórios", acrescentou amensagem.

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