UE discute novo plano de ajuda à Grécia

Revelação de um terceiro resgate ao país foi feita pela revista 'Der Spiegel', com base em relatório interno do banco central da Alemanha

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2013 | 02h04

PARIS - Um relatório interno do Bundesbank, o banco central da Alemanha, indicou no fim de semana que a União Europeia discute um novo plano de socorro à Grécia a ser aprovado até 2014. A revelação foi feita pela revista alemã 'Der Spiegel', que fala de risco "excepcionalmente alto" de que um terceiro resgate seja necessário para impedir a falência do país. Em Bruxelas, a informação não é mais negada.

A necessidade de voltar a socorrer Atenas ocorre porque até aqui o governo grego já usou 90% dos € 240 bilhões oferecidos nos dois primeiros planos de resgate patrocinados pelo Banco Central Europeu (BCE), pela Comissão Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) desde maio de 2010. Em 31 de julho, a troica transferiu ao Tesouro grego € 4 bilhões de mais uma parcela do programa de refinanciamento.

O problema é que, ainda assim, vão faltar recursos. Essa perspectiva vinha sendo evocada nos corredores diplomáticos das principais capitais, como Bruxelas, Paris e Berlim, e foi confirmada em recente relatório do FMI sobre o país.

Segundo a instituição dirigida por Christine Lagarde, faltarão pelo menos € 4,4 bilhões em 2014 e € 6,5 bilhões em 2015 - um rombo de € 10,9 bilhões nas contas públicas que Atenas não teria como suprir, mesmo cumprindo à risca os programas de austeridade e de privatizações. Por essa razão, o FMI exortou a UE a anunciar medidas extras para corrigir as contas. Semanas antes, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, já havia admitido que a União Europeia estava pronta a fazer mais pela Grécia, mas disse então que a deliberação sobre o assunto só ocorreria em 2014.

Sigilo. No fim de semana, a Der Spiegel publicou trechos de um relatório interno do Bundesbank no qual a instituição confirma a expectativa, ressaltando haver "dúvidas substanciais" sobre a habilidade do governo do primeiro-ministro conservador Antonis Samaras de executar todas as reformas estruturais exigidas pela troica - o que complicaria o quadro.

Depois das especulações, o sigilo em torno da ajuda extra permanecia. Em Berlim, o porta-voz do Ministério de Finanças Martin Kotthaus afirmou que o governo de Angela Merkel desconhece o documento do Bundesbank. "O último relatório da troica mostra que a Grécia fez importantes progressos do ponto de vista de reformas", elogiou Kotthaus."O programa atual continua até 2014, e logo eu não vejo como poderíamos especular hoje sobre o que acontecerá em 2014."

Ontem o ministro-adjunto das Finanças da Grécia, Christos Staikouras, veio a público reforçar a garantia de que Atenas está tomando todas as medidas necessárias para evitar um novo socorro, lembrando que o orçamento teve superávit nos primeiros sete meses de 2013, com € 2,6 bilhões.

No mesmo dia em que o governo anunciou o superávit, porém, o escritório nacional de estatísticas da Grécia informou que o PIB do país no segundo trimestre de 2013 caiu 4,6% o mesmo período do ano passado. No primeiro trimestre, a riqueza nacional já havia encolhido 5,6%. Atenas espera que a queda se limite a 4,3% neste ano - que será o sexto consecutivo de crescimento negativo. Em maio, o desemprego atingiu 27,6% da população ativa. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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