UE diz não entender 'aritmética' do Brasil para o etanol

Para bloco, preservação da Amazônia e incremento da produção de biocombustíveis são contraditórios

FABIOLA SALVADOR, Agencia Estado

28 de abril de 2008 | 13h40

O presidente da Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural do Parlamento Europeu, Neil Parish, disse nesta segunda-feira, 28, que a União Européia tem dificuldade em entender a "aritmética" do Brasil no que diz respeito às áreas destinadas à produção de grãos para alimentos e biocombustíveis. Ele disse que a preservação da Amazônia é uma preocupação constante entre os europeus e que o incremento da produção de biocombustíveis é um termo controverso.  Veja também: Especial: Entenda a crise dos alimentos  ONU culpa biocombustível e especulação por crise de alimentosONU faz reunião em busca de ações para combater crise alimentarCrise na oferta de alimentos é passageira, diz LulaParish e outros representantes do Parlamento Europeu estão em Brasília, onde participaram nesta segunda de uma reunião com representantes da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Em sua apresentação inicial, o superintendente técnico da CNA, Ricardo Cotta, disse que o Brasil tem condições de suprir a demanda mundial por alimentos, mas que para isso é preciso haver investimentos em logística e, principalmente, em portos. O deputado Friedrich Baringdorf, vice-presidente da comissão européia, foi contundente ao dizer que a fome é um problema não só dos países pobres mas que populações de classe média também são prejudicadas pelo aumento de preço internacional dos alimentos. "O Brasil não pode ser ambicioso e achar que pode alimentar todo mundo com produtos baratos", afirmou ele, ao pedir "consideração" do Brasil com a realidade dos outros países.

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