UE diz que há mais abertura para o Mercosul

O comissário de comércio da União Européia (UE), Pascal Lamy, disse, nesta segunda-feira, que a UE tem a decisão política de sustentar agricultores que não são competitivos, mas que não quer que desapareçam. Apesar disso, afirmou que a UE ?está mais amigável ao comércio? e mudando progressivamente para um modelo mais aberto, em que a redução dos subsídios dá mais mercado para produtos agrícolas importados, como os do Mercosul.Ele afirmou que a Europa está separando a assistência à produção da assistência aos produtores. Lamy citou que a Europa multiplicou por cinco, desde os anos 80, a importação agrícola e está se abrindo progressivamente. De acordo com Lamy, o continente é responsável por 50% das exportações brasileiras de café e ?não é fechado?.Segundo ele, na reunião ministerial desta terça-feira entre o Mercosul e a União Européia, no Itamaraty, será traçado um plano da negociação entre os dois continentes. ?A nossa capacidade de negociar com o Mercosul depende da capacidade do Mercosul negociar entre si?, afirmou. Ele acrescentou que também interessa saber das articulações com o acordo da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e das negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC).Lamy disse que a UE não está defendendo negociar primeiro normas para depois tratar do acesso a mercados, no contexto do acordo União Européia/Mercosul. ?Queremos negociar os dois (regras e acesso a mercados)?, disse. Há dois motivos para isso, segundo ele: ?O primeiro é que estamos interessados em uma integração profunda, não só comercial. A segunda é que sem discutir regras não dá para discutir acesso a mercados?, afirmou.De acordo com ele, não se pode liberar o comércio de bens sem fazer acordo antes sobre as regras de origem. Para outros setores, como serviços, as regras também são essenciais. De acordo com Lamy, quando o Mercosul se mostrou incomodado com a recente proposta européia de negociar regras para negociar acesso a mercados, o que houve não foi uma confusão de interpretação, mas uma questão de prioridades.?É claro que temos posições diferentes, ofensivas e defensivas?, afirmou. Para o Brasil, é melhor negociar o acesso a mercados sem antes negociar outras normas. Esse tipo de discussão terá lugar na reunião de hoje (terça-feira) no Rio.Lamy esteve nesta segunda-feira com os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e José Serra, do PSDB. ?É claro que há diferenças entre a posição dos dois candidatos, mas não vou contar porque não devo interferir no processo eleitoral do Brasil?, disse. De acordo com ele, porém, as diferenças são mais de método do que de substância, já que os dois defendem o Mercosul.Lamy tentou encontrar-se também com os candidatos da Frente Trabalhista, Ciro Gomes, e do PSB, Anthony Garotinho. Ele disse que não foi possível devido às dificuldades de agenda. Lamy afirmou ainda que a prioridade número 1 da UE é a rodada multilateral da OMC e que o bloco está muito preocupado com o aumento do protecionismo a partir da decisão americana de impor salvaguardas às importações aço. ?Temos que remover as tendências de protecionismo?, declarou.Ele acrescentou, sobre a situação econômica atual dos paises do Mercosul, todos em crise, que ?os mercados são muito voláteis. O quadro atual é uma dificuldade, mas entendemos que o Mercosul é uma solução, mais do que um problema?. Lamy defendeu fortemente a maior integração entre os paises do Mercosul. À noite, o comissário se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, para preparar a negociação desta terça.

Agencia Estado,

22 de julho de 2002 | 19h26

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