UE diz que não aumentará concessões na Rodada Doha

Representante francesa ressalta ainda que europeus querem compensações de países emergentes pela oferta

Efe,

23 de julho de 2008 | 16h26

A União Européia (UE) não aumentará suas concessões agrícolas dentro das negociações da Organização Mundial de Comércio (OMC) e, pelo contrário, quer compensações de outros países, principalmente os emergentes, na abertura de mercados industriais, disse nesta quarta-feira, 23, a ministra do Comércio Exterior francesa, Anne-Marie Idrac. Veja também:Rodada Doha: entenda o que está em jogo em GenebraNegociações na Rodada Doha começam a acelerar, diz Amorim Doha está em momento crítico, alerta premiê britânicoÍndia diz que países desenvolvidos devem propor cortes reais Idrac, que preside atualmente o Conselho de Ministros de Comércio da União Européia, disse que o bloco "já foi generoso demais" com sua oferta agrícola dentro da Rodada de Doha, em que cerca de 30 países da Organização Mundial do Comércio (OMC) negociam pelo terceiro dia em Genebra. Além disso, a UE considera que, para um acordo, é necessário que outros sócios cedam e lhe compensem especialmente na abertura às exportações de produtos industriais, e em outros aspectos como o respeito às denominações de origem, segundo Idrac. Idrac disse, após uma reunião dos responsáveis de Comércio e Agricultura do bloco, que, neste momento da discussão da OMC, há uma "atenção extrema" em relação às conversas sobre os mercados industriais. Na Rodada de Doha, a UE e os EUA querem aumentar o acesso aos mercados industriais, enquanto os países emergentes reivindicam que Washington e o bloco europeu cedam em agricultura, tanto nos subsídios quanto no corte de tarifas. "Reafirmamos de maneira ofensiva e sem complexos nossa posição", disse Idrac. Sobre os mais recentes movimentos na reunião de Genebra, especificamente a oferta apresentada pelos EUA para reduzir seus subsídios agrícolas para US$ 15 bilhões anuais, Idrac disse que se trata de um "passo" de última hora para se aproximar do que a UE "faz há anos". A oferta européia consiste em permitir uma redução de tarifas agrícolas de 54% ou 60%, segundo os tipos de cálculo, em suprimir suas ajudas à exportação, entre outras cessões. Sobre os interesses "ofensivos" da UE, a representante francesa ressaltou o interesse na abertura de mercados industriais e de serviços, mas este último setor não é prioritário na reunião desta semana. Idrac especificou, entre os pontos nos quais a UE discorda com os países emergentes - como Brasil e Índia -, a chamada "cláusula anticoncentração", que evitaria que os emergentes pudessem salvar completamente um setor específico dos cortes de tarifas estipulados, o que os emergentes rejeitam. A ministra francesa acrescentou que os chefes de negociação da UE, o comissário de Comércio europeu, Peter Mandelson, e a comissária de Agricultura européia, Mariann Fischer Boel, não poderão ir à frente do "mandato atual", ou seja, da oferta autorizada pelo bloco em agricultura, para a reunião da OMC.

Tudo o que sabemos sobre:
Rodada DohaOMCUnião Européia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.