UE e América Central chegam a acordo gradual de livre comércio

Acordo vai abrir os mercados paraprodutos industrializados, e os carros europeus vão ter acesso gratuitoà América Central por dez anos, disse a comissão

Álvaro Campos, da Agência Estado,

18 de maio de 2010 | 14h46

União Europeia e seis países da América Central chegaram a um acordo na noite de segunda-feira para gradualmente instalar o livre comércio entre as duas regiões. "É um acordo abrangente, que inclui uma extensa liberação e regras fortes para o comércio bilateral e investimentos entre a UE e a América Central", disse o comissário europeu de comércio, Karel de Gucht, em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira.

O acordo com a América Central, que inclui a Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá, vai abrir os mercados para produtos industrializados, e os carros europeus vão ter acesso gratuito à América Central por dez anos, disse a comissão. As taxas de exportação da banana também vão diminuir por um período de dez anos, enquanto as cotas para a carne bovina e o arroz vão aumentar.

O acordo vai ser formalizado na quarta-feira, no final do encontro, disse a Comissão Europeia. A UE espera que o acordo seja ratificado este ano. A UE e a América Central começaram as negociações para um acordo de comércio em 2007. Mas as negociações sobre outros acordos têm se arrastado há muito mais tempo.

O encontro dos ministros da UE e da América Latina, que começou na segunda-feira e termina na quarta-feira, prevê ainda a assinatura de um acordo de livre comércio com a Colômbia e o Peru.

A reunião também retomou as conversas estabelecidas anteriormente com o Mercosul, o bloco econômico mais importante na América Latina. O Mercosul abrange potências agrícolas, como o Brasil e a Argentina, além do Paraguai e do Uruguai, sendo que a Venezuela está em processo de se tornar um membro.

A UE e o Mercosul negociaram entre 2000 e 2004, mas as conversas foram paralisadas por causa dos subsídios agrícolas europeus e das tarifas alfandegárias da América do Sul para produtos industrializados. Ainda não está claro se essas questões espinhosas podem ser superadas desta vez.

Na semana passada, dez países da UE, liderados pela França, publicaram um protesto conjunto alegando que a retomada das conversas de livre comércio com o Mercosul dispara um "alerta altamente negativo" para os fazendeiros europeus, que têm enfrentado dificuldades, acrescentando que futuras concessões do setor agrícola "seriam inaceitáveis".

Como resultado da crise financeira, alguns países aumentaram o protecionismo, disse o ministro do Planejamento do Brasil, Paulo Bernardo. "É preciso que haja concessões (da Europa na agricultura), caso contrário vai ser muito difícil chegar a um acordo".

O Brasil, que experimenta um crescimento econômico acelerado e cuja influência diplomática está cada vez maior, não deve fazer concessões. "É um momento de demandas", disse Thiago Aragão, analista político da consultora Arko Advice, em Brasília. "Eu não acho que os grandes produtores agrícolas do Brasil vão fazer concessões. Acredito que essas conversas não vão ter resultados definitivos".

Os setores agrícolas na América Central, Peru e Colômbia são bem menos desenvolvidos do que no Brasil, o que torna fácil para a UE avançar nas negociações de comércio com esses países, disse Aragão.

As informações são da Dow Jones. 

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