UE e FMI dão ultimato à Grécia e bolsas desabam

Liberação de parcela de 8 bilhões corre risco e país fica à beira do calote; gregos pedem o 'fim da humilhação' e reclamam de 'chantagem'

JAMIL CHADE, ENVIADO ESPECIAL , HERAKLION, GRÉCIA, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2011 | 06h09

A Grécia nunca esteve tão próxima de um calote e, para evitar esse cenário, terá de multiplicar os esforços para reduzir o setor público, aumentar a arrecadação e convencer investidores de que, finalmente, vai reformar sua economia.

Esse foi o duro recado dado ontem pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) a Atenas, em uma conferência telefônica que foi acompanhada na Grécia praticamente minuto a minuto e fez desabar os mercados pelo mundo.

O governo grego pediu o "fim da humilhação" diante das exigências e da forma como o país vem sendo tratado pelos demais parceiros no bloco. Mas, para Bruxelas, está em jogo nesta semana o futuro da Grécia na zona do euro. O FMI foi ainda mais duro e alertou que o eletrocardiograma da saúde da economia grega "se parece com o de um homem morto" e admitiu que o precipício nunca esteve tão claro.

O governo grego já avisou que não tem recursos em caixa após o fim de outubro, o que na prática seria a quebra do país. A solução seria a liberação de mais uma parcela do resgate internacional, de 8 bilhões.

Mas nem a UE nem o FMI estão disposto a liberar o dinheiro se os gregos não provarem como vão reduzir seu déficit. Novas exigências foram apresentadas e as entidades deixaram claro que a paciência com os gregos está no fim. "A bola está com os gregos", alertou Bob Traa, representante do FMI em Atenas.

O encontro entre o governo e as entidades continuará hoje, na esperança de que os gregos apresentem medidas que possam ser consideradas satisfatórias pela UE e pelo FMI. Ambos insistiram que a Grécia deve adotar um sistema mais eficiente de coleta de impostos, e não aumentar as taxas como fez há uma semana.

Outra exigência da UE é de que o governo reduza o tamanho do Estado. Uma das medidas seria demitir 100 mil até 2015. Mas também pedem o corte de aposentadorias, alta dos preços de combustível, fechamento de estatais, redução de gastos com saúde e aceleração da privatização, que ainda não saiu do papel. "As privatizações não avançam porque os políticos não chegam a um acordo sobre como realizá-las. Mas, se esperam mais tempo, o país acabará quebrando", afirmou Traa, do FMI.

Humilhação. Após o primeiro dia de reuniões, o ministro de Finanças da Grécia, Evangelos Venizelos, prometeu novas medidas de austeridade. Além disso, o governo iniciou uma ofensiva contra a fuga de capitais. Em apenas seis meses, os gregos transferiram 21 bilhões ao exterior. Mas Venizelos alertou que seu governo se recusaria a ser bode expiatório dos europeus, já que estava sendo usado para desviar a atenção do fracasso da UE na crise. Segundo ele, o país foi "chantageado e humilhado".

O impasse sobre a Grécia causou um terremoto nas bolsas europeias, diante do temor de um eventual default. Em Londres, a queda foi de 2,03%; Paris, 3,0%; e Frankfurt, 2,83%.

O risco país de Espanha e Itália voltaram a subir, mesmo após intervenção do Banco Central Europeu.

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