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UE e Mercosul trocam acusações por falta de acordo

Barroso, que deixa o cargo em novembro, e Dilma, às vésperas das eleições, mostraram, porém, otimismo na retomada das negociações

Lisandra Paraguassu / Brasília, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2014 | 02h03

União Europeia (UE) e Mercosul chegaram a um impasse. O tão esperado acordo comercial entre os dois blocos está em compasso de espera, enquanto um lado acusa o outro de ser o responsável pelo atraso.

Do lado sul-americano, fontes do governo afirmam que a proposta está pronta para ser apresentada, mas não há sinais de que os europeus queiram marcar uma data para a troca de ofertas. A ministros brasileiros, representantes da União Europeia admitem que não estão dispostos a sofrer o desgaste de fazer as consultas necessárias entre os 28 países do bloco sem saber que concessões o Mercosul pretende fazer.

Um alto funcionário do Itamaraty ouviu de negociadores europeus que faltaria apenas a consulta, mas que não queriam enfrentar a briga dessa consulta sem uma oferta concreta na mesa. Ao contrário do Mercosul, a negociação na União Europeia é mais simples, já que a Comissão Europeia tem mandato para falar em nome dos 28 países, ao contrário do bloco sul-americano, onde cada ponto precisa ser acordado a cada detalhe.

Abrir a oferta sem uma contrapartida europeia não está nos planos do governo brasileiro nem dos demais países da região. Seria entregar ao outro lado um trunfo imenso na negociação. "Nós também precisamos de um sinal deles de que realmente estão interessados. Não pode ser apenas uma direção", disse ao Estado um diplomata brasileiro.

O jogo de empurra tem sido a tônica das negociações até agora. Em dezembro de 2013, os europeus pediram para adiar a reunião de janeiro, quando deveria ter sido feita a troca de ofertas. Isso foi usado pelo Mercosul para afirmar que o processo estava parado por causa dos europeus, mas a verdade é que os parceiros sul-americanos só conseguiram chegar a uma oferta aceitável em junho deste ano. Agora, chegou-se a uma proposta de eliminação de tarifas de 87% das linhas de produtos em 12 anos, incluindo a Argentina, o que está dentro da margem esperada para uma negociação aceitável.

Reunião. A disposição do Mercosul foi o tema central do encontro, ontem, entre o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e a presidente Dilma Rousseff. Foi deixado claro que o bloco estava pronto e estava nas mãos dos europeus marcar a troca de ofertas. A resposta de Barroso foi de que então isso seria feito. No entanto, de saída do cargo, o presidente da UE tem pouca força, nesse momento, para levar adiante sua promessa.

Ontem, ao receber Barroso, o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, afirmou que o Mercosul faria o possível para retomar as negociações. "Esperamos que a troca de ofertas saia antes do final do ano", disse. O europeu confirmou que ainda não há data, mas que se tentaria algo ainda em 2014. "Ficou expresso de ambos os lados o desejo de ser o mais rapidamente possível. Realisticamente, agora na Europa entra-se em férias no mês de agosto, não poderá ser antes do próximo outono", disse ao sair da Universidade de Brasília, onde recebeu o título de Doutor Honoris Causa.

Não são apenas as férias europeias que estão no caminho da negociação. Durão Barroso deixa o cargo em 1.º de novembro, quando será substituído por Jean-Claude Juncker, ex-primeiro-ministro de Luxemburgo, de centro-direita. Também os comissários da UE serão trocados, o que acrescenta dois elementos desconhecidos na negociação.

Também a eleição brasileira é um fator. Só no final de outubro se saberá quem será o novo presidente do País e, mesmo que Dilma seja reeleita, a própria equipe econômica poderá mudar. Entre idas e vindas, Mercosul e União Europeia conversam há 20 anos sobre um acordo de livre-comércio.

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