UE e OMC temem retomada do protecionismo

Para negociadores, se Brasil levantar barreiras, estará descumprindo promessa feita no G-20

Jamil Chade, ZURIQUE, O Estadao de S.Paulo

28 de janeiro de 2009 | 00h00

A União Europeia (UE) criticou as novas medidas de importação adotadas pelo Brasil e alerta que vai monitorar se as licenças serão utilizadas para fins protecionistas. Na Organização Mundial do Comércio (OMC), as medidas não escaparão de uma avaliação na reunião da semana que vem, em Genebra. A entidade máxima do comércio vai passar em revista as medidas protecionistas tomadas por vários governos. A OMC acredita que a adoção de barreiras irá intensificar a crise internacional e lembra que o G-20 se comprometeu em dezembro a não adotar nenhuma nova medida protecionista por 12 meses. Na União Europeia (UE), diplomatas reagiram de forma negativa à notícia sobre o Brasil. "Estamos muito preocupados com a decisão", afirmou Fabian Delcros, chefe dos serviços comerciais da delegação da UE no Brasil. Para ele, a exigência de licenças não é por si só uma barreira. Mas alerta que a UE estará acompanhando "com muita atenção" para que a aplicação dessas licenças não sejam usadas para dificultar a importação em determinados setores. Negociadores comerciais destacaram que, se as barreiras no Brasil forem confirmadas, o governo estará descumprindo sua promessa no G-20, em Washington. Ontem, o Instituto de Finanças Internacionais informou que o superávit comercial do Brasil vai cair de forma importante em 2009. Em 2008, o País fechou com um superávit de US$ 25 bilhões. Para este ano, não deve passar de US$ 17 bilhões. Isso significa, segundo os economistas, que as importações devem crescer a um ritmo bem maior que as exportações. Mesmo assim, o presidente do Citibank, William Rhodes, insiste que um protecionismo comercial não seria a resposta para a crise. "A tendência de adoção de medidas protecionistas é preocupante. Isso é a última coisa que precisamos", disse. "Não queremos que se repita um cenário que tínhamos antes da Segunda Guerra Mundial, em que cada país tentava se proteger", alertou Rhodes. "Não podemos seguir o caminho dos anos 30", disse. Naquele momento, o governo americano elevou a tarifa para 10 mil produtos. Roberto Setubal, presidente do Itaú, também alerta que o comércio precisa ser mantido aberto. "Isso será a chave para recuperação", disse.Para Charles Dallara, diretor do IFI, a realidade é que existe o risco de que a onda de abertura de mercados dos últimos 20 anos seja ameaçada e até revertida diante da crise. "A recessão é tão profunda que pode ameaçar os benefícios da globalização", disse. "Entramos numa bolha e agora o mercado passa por uma correção. Mas isso não deve significar necessariamente um fechamento dos mercados", disse Rhodes.

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