UE entra com recurso contra condenação a subsídios do açúcar

A União Européia (UE) entrou, hoje, com um recurso para que a Organização Mundial do Comércio (OMC) reveja sua decisão de condenar os subsídios dados por Bruxelas aos produtos de açúcar. Em 2004, o Brasil, Tailândia e Austrália obtiveram uma importante vitória ao conseguir que a entidade decretasse os subsídios como ilegais e exigisse sua retirada. A Europa pede agora um novo julgamento, ainda que sua comissária para Agricultura, Marianne Boel, reconheça que uma reforma no sistema de ajuda, criado em 1968, terá de ser feita.O Brasil não perderá tempo e também deverá aproveitar que o caso será arrastado por outros três meses para apresentar uma contra-apelação e pedir que a OMC seja ainda mais dura em sua arbitragem final contra ossubsídios. A avaliação que começará a ser feita agora pelo Órgão de Apelação da OMC será a palavra final da entidade sobre o caso.Segundo a primeira decisão dos árbitros da OMC, a UE colocou de forma ilegal 2,8 milhões de toneladas de açúcar subsidiado em apenas um ano no mercado internacional, prejudicando as exportações brasileiras. A disputa ocorre em torno dos compromissos da UE de reduzir seus subsídios, quepermitiram que passassem da condição de importadores de açúcar para se tornar o segundo maior exportador do mundo, superados apenas pelo Brasil.Na avaliação do Itamaraty, se essas exportações subsidiadas não existissem, o preço internacional do açúcar ainda seria 20% maior. Já em Paris, a Associação de Produtores de Açúcar da Europa acredita que o preço do açúcar cairá ainda mais se o Brasil "inundar" o mercado com seu produto. "O Brasil exportava 1,3 milhão de toneladas de açúcar há dezanos. Hoje, vende 13 milhões de toneladas", afirmou a Associação.

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