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UE enviará missão ao Brasil para pedir ajuda no resgate

Objetivo é ampliar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira com recursos de países emergentes; visita começa pela China

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2011 | 03h05

A Europa prepara missão ao Brasil para convencer o governo e potenciais investidores a fazer parte do resgate da zona do euro. Ontem, a União Europeia chegou a um acordo sobre o pacote cujo objetivo é blindar a Europa da crise, perdoar 50% da dívida grega e exigir recapitalização de bancos.

Para conseguir isso, terá de encontrar US$ 1,4 trilhão para abastecer o que vem sendo chamado de "braço armado" da política de resgate da UE. A peregrinação começou ontem pela China.

O Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef) confirmou que "a viagem ao Brasil está sendo considerada", disse Christof Roche, porta-voz da entidade, com sede em Luxemburgo. Não há ainda data para a missão. Em Bruxelas, diplomatas europeus confirmaram que a meta é uma visita antes do fim do ano. A operação será liderada pelo diretor do fundo, Klaus Regling.

Um dos três pilares do acordo de ontem é ampliar o Feef dos atuais 440 bilhões para mais de 1 trilhão. Falta definir como captar esses recursos. Uma das opções é criar um organismo que, sob gerência do FMI, sairá ao mercado em busca de recursos. José Manuel Barroso, presidente da Comissão Europeia, espera que "países com grandes superávits em suas contas" contribuam. Segundo ele, vão ajudar a estabilizar a economia mundial.

O Feef já fornece 17,7 bilhões para a Irlanda, 26 bilhões para Portugal e fez duas emissões ao mercado. O governo japonês comprou quase um quinto dos bônus emitidos. Para o segundo pacote para a Grécia, de 130 bilhões, o Feef poderá ser chamado a oferecer 70 bilhões. O fundamental é construir uma parede para evitar que a crise chegue a Itália e Espanha.

Na viagem da presidente Dilma Rousseff à Europa há duas semanas, o mecanismo foi apresentado à delegação brasileira, mas nenhum comentário foi feito.

Hoje, Regling estará na China, a grande esperança dos europeus. Ontem, poucas horas após fechar o acordo, o presidente francês Nicolas Sarkozy telefonou para o presidente Hu Jintao na esperança de conseguir seu apoio ao fundo de resgate.

Sarkozy ainda vai usar a reunião do G-20 que ele preside na semana que vem em Cannes para promover o Feef. Na prática, a forma encontrada seria a de fortalecer o FMI que, então, colocaria seu peso no resgate europeu.

Hu indicou esperar que as medidas ajudem a estabilizar os mercados e concordou em "cooperar para garantir que a reunião do G-20 possa dar contribuição decisiva para garantir o crescimento e estabilidade global". Ontem, Pequim saudou o novo acordo, indicando que daria "confiança aos mercados".

Condições. O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, também já havia indicado a disposição de Pequim em ajudar. A China, porém, teme que o investimento acabe sendo arriscado. O país hesita em aplicar recursos num plano que nem mesmo os europeus parecem acreditar.

Segundo a agência oficial Xinhua, cabe à UE garantir a segurança dos investimentos chineses. Há um mês, Wen alertou que, apesar de Pequim estar pronta para ajudar, a Europa teria de colocar sua casa em ordem primeiro.

Outro que indicou que pode ajudar é o Japão, por onde o executivo passará nos próximos dias, mas vai esperar até novembro para tomar decisão. Ontem, o ministro de Finanças, Jun Azumi, considerou o acordo europeu um "grande passo". Já a Austrália alertou que, apesar de ser apropriado buscar recursos do FMI, os europeus deveriam usar primeiro o próprio capital.

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