UE estuda negociar com Mercosul após fracasso na OMC

O comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, deve se reunir com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, no final de agosto para decidir se a União Européia (UE) retoma as negociações para um acordo de livre comércio com o Mercosul, independentemente do fracasso ou não da Rodada de Doha. Mandelson sempre defendeu que as conversas com o bloco sul-americano deveriam esperar pela conclusão de Doha e ter como base os parâmetros estabelecidos na OMC, mas agora admite que essa decisão tem de ser revisada.?Tenho que refletir sobre isso e conversar com Amorim e os companheiros do Mercosul antes de chegar a uma conclusão?, disse o comissário, que se negou a esclarecer quais fatores serão avaliados. ?Só voltarei a pensar nisso depois das minhas férias, no final de agosto.?Apesar de lamentar o que chamou de ?uma enorme oportunidade perdida, com implicações sistêmicas sérias para o comércio multilateral?, Mandelson ainda acredita que a Rodada pode ser salva.?As diferenças entre todos os envolvidos não foram grandes. Podemos chegar a um acordo que renda verdadeiros benefícios econômicos tanto para os países em desenvolvimento como para os desenvolvidos, mesmo que não seja no nível mais alto que alguns negociadores queriam.?Mandelson afirmou que ?a Europa continua comprometida com a Rodada? e que a negociação na OMC ainda é a ?principal prioridade da política de comércio internacional da UE, que lutará por sua conclusão?. Entretanto, admitiu que não tem idéia de quando as conversas poderão ser reiniciadas. ?Duvido que isso será logo. Mas insisto em que devemos retomar as ofertas que já estão sobre a mesa e recomeçar as negociações assim que as circunstâncias permitirem.?Estados Unidos O comissário voltou a defender a postura européia nas negociações de Doha e a insistir em que todos os lados precisam mostrar flexibilidade. ?A UE, mesmo em meio a uma grande divergência entre os países membros, foi capaz de fazer um grande esforço nos últimos seis meses e mostrou uma flexibilidade significativa no difícil tema do acesso ao mercado agrícola comum.? As críticas mais uma vez recaíram sobre os Estados Unidos, a quem Mandelson acusou de não terem oferecido ?flexibilidade nenhuma? na questão dos subsídios domésticos à agricultura.?Lamento isso, apesar de entender as considerações políticas domésticas que influenciaram a posição (norte-americana). Como resultado, os Estados Unidos têm pedido muito dos outros e, em troca, eles mesmos fazem muito pouco. Esta não é minha definição de liderança?, afirmou. ?Agora os Estados Unidos parecem dizer ao resto do mundo ?estamos certos e vocês estão isolados?.??O fracasso de ontem (segunda-feira) certamente será comemorado pelos grupos errados. Isso é algo para ser levado em consideração por aqueles que professam um compromisso com o comércio livre, mas que não conseguem enfrentar os lobbies que representam uma fração da economia nacional.?Segundo o comissário, o principal custo da crise é que a falência de Doha ?leva ao fracasso da consolidação de um programa de reformas fundamentais no sistema de subsídios agrícolas no mundo rico, algo que apenas a OMC pode fazer?.

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