UE estuda reforma no setor açucareiro

Pressionada pela comunidade internacional, a União Européia (UE) anuncia que começa a estudar uma reforma para o regime do açúcar do bloco, tema que levou o Brasil à recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) há poucas semanas. Segundo Bruxelas, um estudo deverá estar pronto em julho de 2003 sobre uma possível reforma do setor, mas uma mudança efetiva somente entraria em vigor em 2006.O regime açucaceiro foi o único que não entrou nos planos de reforma da política agrícola comum da UE, lançados no início do ano. Mas diante das queixas de vários países e da pressão das organizações não-governamentais, Bruxelas decidiu dar sinais de que poderá rever sua política de subsídios.Países como o Brasil e a Austrália alegam que, ao dar os subsídios aos seus produtores, os europeus estariam afetando de forma negativa os preços internacionais do açúcar, além de competir em terceiros mercados de forma desleal. Segundo especialistas, a Europa, se competisse de igual para igual com os demais países, estaria hoje apenas importanto açúcar. Mas com os subsídios, a UE se tornou, nos últimos anos, o maior exportador de açúcar do mundo.Apesar do anúncio do estudo, os produtores brasileiros não estão dispostos a esperar mais quatro anos para que a situação seja modificada. No final de novembro, o governo deverá se reunir com os diplomatas europeus para a primeira fase do processo da OMC.Nos corredores da entidade, em Genebra, um número cada vez maior de países se mostra interessado em participar da disputa. Entre os países que apoiam o Brasil estão alguns governos asiáticos, o Canadá e a Colômbia. Do lado dos europeus estão as ex-colônias da Ásia, Pacífico e Caribe, grupo conhecido como ACP, que é favorecido pelas condições de acesso ao mercado europeu.Os europeus ainda afirmam que, se a disputa na OMC não existisse, existiria a possibilidade de que a reforma do regime ocorresse antes de 2006, mas poucos em Genebra aceitam esse argumento como justificativa para forçar o Brasil a retirar sua queixa na OMC.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.