UE já admite acordo comercial só com o Brasil

Pela primeira vez depois de 13 anos de negociações frustradas entre a Europa e o Mercosul para o estabelecimento de um acordo de livre comércio, a União Europeia (UE) dá sinais públicos de que estaria disposta a negociar um acordo individualmente com o Brasil ou com outros países do Mercosul, e não necessariamente com todo o bloco.

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE, Agencia Estado

09 de julho de 2013 | 08h37

Em declarações a jornalistas brasileiros em Genebra, o comissário de Comércio da Europa, Karel de Gucht, indicou que não cabe à UE decidir de que forma os sul-americanos negociariam e que a decisão deve ficar com o Mercosul. Mas não rejeitou a opção por uma negociação isolada com o Brasil.

"O Mercosul é nosso interlocutor e cabe ao Mercosul decidir como negociar conosco", disse o comissário europeu.

Questionado se a opção de negociar um acordo bilateral com o Brasil interessava à UE, o comissário foi diplomático. "Eu dei a resposta que queria dar. Nem mais nem menos."

No setor privado, a declaração do comissário foi interpretada como uma indicação de que, se o Brasil aparecer para negociar sozinho, terá em Bruxelas interlocutores dispostos a conduzir um novo diálogo.

Os europeus não escondem o interesse por um acordo com o Brasil diante do potencial que a queda de tarifas daria para as exportações da UE, principalmente com a demanda doméstica na Europa enfraquecida pela crise.

Em 2000, as negociações para a criação de uma zona de livre comércio entre os dois blocos foram lançadas. Mas o projeto pouco avançou. Do lado europeu, a queixa era de que os sul-americanos não estavam dando acesso suficiente para a entrada de bens industriais europeus. Do lado do Mercosul, o problema é que, desde então, a Europa proliferou acordos comerciais com vários outros parceiros comerciais, o que começou a afetar os interesses de exportadores brasileiros. Alguns deles - os maiores - optaram até mesmo por se instalar na UE. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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