UE mostra condições para abertura aos agrícolas brasileiros

Altos funcionários da União Européia (UE) revelaram ao Estado que estão dispostos a oferecer ao Brasil acesso a seu mercado na negociação entre o Mercosul e o bloco europeu se a atual proposta de Bruxelas na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a liberalização agrícola não for objetada por Brasília em Genebra. Há dois dias, Bruxelas e Washington apresentaram uma proposta de acordo agrícola na OMC, que tem como objetivo destravar as negociações para a reunião de Cancun, as quais ocorrem em setembro. Segundo o texto, porém, vários dos principais pontos defendidos pelo Brasil e outros exportadores agrícolas não foram respeitados.O que os europeus argumentam, porém, é que a proposta deixa um espaço aberto para a negociação de preferências tarifárias, como seria o caso do acordo Mercosul-UE. "As negociações comerciais devem ser consideradas como vasos comunicantes", afirmou um alto diplomata europeu. Segundo ele, o Brasil deve avaliar o conjunto das negociações em que está envolvido para tomar uma decisão sobre se aceita ou não a proposta na OMC. Reações oficiaisOntem, porém, as primeiras reações oficiais do governo brasileiro na OMC em relação ao texto foram claras: Brasília não aceita a proposta européia e americana como base para um acordo em Cancun, pelo menos não como está sendo apresentada. Em seu discurso na assembléia da OMC, o embaixador brasileiro Luiz Felipe Seixas Correa pediu que a ambição da liberalização agrícola fosse mantida e se disse preocupado com a proposta de ampliar as cotas existentes para as exportações agrícolas. O diplomata também foi claro quanto aos subsídios. "Não estamos preparados para aceitar a manutenção de subsídios às exportações", disse. Para ele, a proposta européia de retirar vantagens de países em desenvolvimento que sejam competitivos no setor agrícola não tem base legal e estaria punindo as economias "eficientes" e que estão tentando ganhar espaço no mercado internacional.Diante das várias reações negativas ao texto europeu-americano, os negociadores devem voltar à mesa de negociações nos próximos dias para tentar encontrar uma posição de consenso entre os 144 países membros. "Não será fácil", reconhece o negociador dos Estados Unidos para temas agrícolas, Allen Johnson.

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