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UE não adota o Plano Brady, que reestruturou dívidas de emergentes

Uma receita bem conhecida na América Latina, a reestruturação da dívida nos moldes da empreendida com o Plano Brady, nos anos 90, é recusada pela UE para contornar o risco de insolvência de Grécia, Irlanda e Portugal. Embora comece a admitir a hipótese de renegociação, o modelo, tido como bem-sucedido por analistas , vem sendo ignorado por Bruxelas até aqui.

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2011 | 00h00

Na semana passada, o Eurogrupo, o fórum de ministros de Economia da UE, evocou pela primeira vez a hipótese de uma "reestruturação branda" da dívida da Grécia. A hipótese, porém, não se compara à complexidade do Plano Brady.

Criado em março de 1989, o programa - cujo nome foi uma alusão ao secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Nicholas Brady - renovou a dívida de países em desenvolvimento, trocando seus bônus. Os títulos novos, conhecidos como "bradies", incluíam o alongamento dos prazos de reembolso, o abatimento nos encargos das dívidas e juros menores. O plano era condicionado à adoção de programas de austeridade, que à época se traduziam em reformas liberais, como planos de privatização.

Ainda que essas reformas sejam contestadas, o uso dos bradies para reduzir o peso da dívida é em geral reconhecido como o fim da "década perdida" em diferentes regiões do mundo, como a América Latina e, em particular, o Brasil. "Nessa época o Brasil renegociou os vencimentos, pôde alterar o perfil de sua dívida, alongando prazos, sem causar perda de patrimônio às instituições financeiras envolvidas", lembra Ernesto Lozardo, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas , questionando: "Por que a Europa abandonou o Plano Brady?"

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