UE não participará de reunião para relançar Doha

A União Européia (UE) rejeitou um convite do governo australiano para participar de uma reunião entre quase 50 ministros de comércio em setembro para tentar relançar a Rodada Doha de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). O encontro ocorre no dia 20 do próximo mês na Austrália e o governo local esperava apresentar uma oferta de liberalização comercial que pudesse aproximar as posições divergentes da Europa e Estados Unidos.As negociações foram suspensas no mês passado depois que os principais países da OMC não conseguiram chegar a um entendimento sobre o corte de tarifas para produtos agrícolas e uma redução de subsídios. Washington alega que não reduzirá sua ajuda governamental aos agricultores enquanto a Europa não reduzir suas tarifas de importação. Já Bruxelas alega que somente derrubará suas barreiras depois que os americanos dêem provas de que irão retirar os subsídios. Os australianos, portanto, queriam utilizar a reunião anual do Grupo de Cairns (bloco de exportadores de bens agrícolas) para tentar retomar o processo. Os ministros americanos teriam confirmado suas intenções de ir até a Austrália. Mas os europeus recusaram o convite, o que impossibilita por enquanto a retomada do processo. Críticas O ministro do Comércio da Austrália, Mark Vaile, não poupou críticas aos europeus. Segundo ele, o corte de tarifas oferecidos por Bruxelas pode parecer interessante, mas faz pouca diferença diante do fato de as barreiras serem altas.Enquanto governos se atacam publicamente, nos bastidores cada movimento de um país é cuidadosamente analisado pelos demais. Na semana passada, a representante de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, esteve no Brasil. Após uma reunião com o Itamaraty, ela e o chanceler Celso Amorim declararam à imprensa que o processo poderia ser retomado. Mas dentro do próprio Itamaraty, diplomatas que há anos participam das negociações da Rodada Doha não viram com bons olhos o conteúdo da conversa entre a representante americana e Amorim. Para alguns, o que Schwab tentou em sua visita foi enfraquecer a aliança do G-20 (grupo formado por Brasil, Índia, China e outros países emergentes). Os americanos não gostaram das posições da Índia nas últimas reuniões e, em um dos encontros entre os dois países, Nova Déli avisou que preferiria se responsabilizar pelo fracasso de Doha à abrir seu mercado. Em Brasília, a visita dos americanos foi, portanto, considerada como um sinal de alerta para a Índia. Amorim, poucos dias depois, decidiu convocar uma reunião do G-20 para demonstrar que os países emergentes estão unidos.

Agencia Estado,

04 de agosto de 2006 | 15h39

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