UE oferece ao Brasil acordo sobre etanol na OMC

Proposta para ampliar a exportação do produto faz parte das iniciativas para destravar a Rodada Doha

Reuters,

25 de julho de 2008 | 09h46

A União Européia ofereceu ao Brasil nesta sexta-feira, 25, a chance de exportar mais etanol para os 27 países do bloco, como parte das iniciativas para tentar destravar as negociações da Rodada Doha de comércio global. Em troca, a UE exigiria mais acesso aos mercados brasileiros, segundo o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson.   Veja também: Rodada Doha: entenda o que está em jogo em Genebra 'Próximas 24 horas são cruciais', diz diretor-geral da OMC Brasil terá que convencer Índia e Argentina por acordo na OMC Stephanes 'deve achar que estou me divertindo', diz Amorim 'Não acredito em Doha', diz Stephanes Brasil quer benefícios para etanol na Rodada Doha"Surpreendentemente, devido à importância dessa questão em Brasília, (o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso) Amorim pareceu minimizar o valor de tal oferta para o Brasil," escreveu Mandelson em seu blog. A UE espera que grandes economias emergentes, como o Brasil, se abram mais a produtos industriais.   A proposta prevê o corte de tarifas na importação anual do equivalente a 1,4 milhão de toneladas de etanol até 2020, o que gera uma receita anual de US$ 1 bilhão, de acordo com autoridades da UE. Sem as tarifas, a indústria de etanol européia não consegue competir com o produto brasileiro, feito de cana-de-açúcar. Já os produtores europeus utilizam cereais como matéria-prima, o que torna a indústria menos eficiente.   A indústria de etanol européia tem capacidade para produzir cerca 3,5 milhões de toneladas anuais, segundo informação da Associação Européia de Bioetanol Combustível. Este volume deve crescer já que outros 2,7 milhões de toneladas de capacidade estão sendo construídos.   Segundo a proposta, tarifas menores iriam ser aplicadas em pequenos volumes de etanol importado no início de sua vigência e gradualmente estes volumes iriam crescer até 2020, segundo autoridades da UE.   A União Européia está discutindo uma medida que iria tornar obrigatório a utilização de biocombustíveis em 10% da energia gasta em transporte no bloco até 2020. A UE elaborou seu plano para os biocombustíveis para apoiar o desenvolvimento de tecnologias para produção de etanol e biodiesel dentro do bloco na expectativa de torná-lo mais auto-suficiente em combustível.   Nesta sexta, o principal grupo da OMC (Brasil, Austrália, China, EUA, Índia, Japão e a União Européia) volta a se reunir, e do resultado dessas "consultas" depende a continuidade e o êxito da reunião.   O diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), Pascal Lamy, pediu que os países mudem "radicalmente" sua postura ou a reunião fracassará e, em conseqüência, ficará estagnada a Rodada Doha. Nesta sexta, todos os países que participam da reunião expressaram sua "preocupação" com a repercussão do que ocorrer nas próximas horas.   Texto ampliado às 14 horas   (com Efe e Eduardo Magossi, da Agência Estado)

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