coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

UE oficializa salvaguardas para o aço

A União Européia adotou hoje, oficialmente, as medidas de salvaguardas contra 15 categorias de produtos siderúrgicos de terceiros países, segundo o presidente da Comissão Européia, Romano Prodi. Ele afirmou que as medidas são provisórias e que não durarão um dia a mais do que as medidas adotadas pelos Estados Unidos. "A UE não está a procura de confrontos. Estamos apenas defendendo os direitos das nossas indústrias", afirmou. A Comissão criticou a capacidade do setor norte-americano. "O que acontece hoje nos EUA é a febre tropical do aço e nós não queremos ser contagiados, porque temos uma vacina que já aplicamos há mais de 10 anos", afirmou o comissário europeu de comércio, Pascal Lamy, garantindo que a indústria do aço norte-americana precisa passar por reformas, como as que foram implementadas na Europa há uma década. Os europeus tomaram estas medidas alegando que o mercado da UE corre o risco de sofrer o afluxo de milhões de toneladas de aço. "As medidas são uma forma de instalar um ?air bag? para proteger o mercado europeu, enquanto os americanos usaram um freio de mão ao primeiro sinal de alerta", disse Lamy. "O presidente Bush fechou o mercado norte-americano e nós não podíamos assistir ao desvio em direção ao nosso mercado de 15 milhões de toneladas de aço, que correspondem a 50% a mais de nossas importações", defendeu.O presidente da Comissão Européia fez um apelo ao presidente norte-americano, George W. Bush, para que os EUA não continuem ?a trilhar este caminho?. E reiterou: ?Todos nós temos interesses legítimos, mas não deveríamos deixar que interesses nacionais de curto prazo acabem por ditar nossa política e mexa no contexto da concorrência global".O apelo traduz-se na crítica que circula na Comissão de que as restrições norte-americanas ao aço do resto do mundo com tarifas de até 30% foram para beneficiar estados que apóiam politicamente o presidente republicano Bush, como a Pensilvânia e a Virgínia do leste.O comissário europeu de comércio disse que dentro de seis meses haverá uma nova avaliação para ajustar as medidas européias. Lamy se referiu também à pressão interna do setor siderúrgico, que gostaria de ter visto desde já restrições à importação das 21 categorias de produtos impostas pelos norte-americanos. As salvaguardas européias deixaram de fora seis produtos, comparando-os com a lista dos EUA.As salvaguardas da UE estipularam cotas para cada uma das 15 categorias de produtos e impuseram tarifas que variam de 14,9% a 26% para as importações extra-cotas. O Brasil foi afetado em duas categorias: aço fino para embalagens e barras e perfis de aço-liga. O setor exportou para a UE, em 2001, cerca de US$ 60 milhões. O total das exportações brasileiras de aço para os países europeus está em torno de US$ 300 milhões.Os europeus agora aguardam o próximo debate de compensações em nível da Organização Mundial de Comércio (OMC), marcado para o dia 11 de abril. Lamy afirmou hoje que as consultas internas começarão, caso as compensações não funcionem. "Temos que estar preparados com uma lista inteligente caso decidamos pela retaliação", garantiu Lamy.As salvaguardas européias entram em vigor depois da publicação no jornal oficial da UE, prevista para o próximo dia 3 de abril.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.