Alkis Konstantinidis/Reuters
Alkis Konstantinidis/Reuters

UE pede à Grécia ajuste mais duro

Segundo comissário da União Europeia, país precisa apresentar propostas mais concretas em relação ao 'caro sistema previdenciário'

O Estado de S.Paulo

21 Maio 2015 | 02h03

PARIS, ATENAS - A aceleração das negociações entre a Grécia e seus credores internacionais mostra que um acordo é possível, mas os gregos precisam fazer concessões mais concretas sobre questões do sistema previdenciário e do mercado de trabalho, disse ontem o comissário econômico da União Europeia, Pierre Moscovici.

A Grécia se esforça para chegar a um acordo com credores internacionais, de modo a conseguir mais 7,2 bilhões por meio do atual programa de ajuda, que expira em junho. Autoridades do país e da Europa têm dito, no entanto, que os gregos provavelmente não terão condições de cumprir com suas obrigações da dívida sem a injeção de mais recursos por parte dos credores.

Na segunda-feira, Moscovici havia afirmado que há progressos "substanciais" nas conversas, mas alertou para a proximidade do fim do prazo para um acerto. Ontem, acrescentou que ainda há "um longo caminho a percorrer em relação ao caro sistema previdenciário e ao mercado de trabalho".

Em Atenas, o porta-voz do partido do governo no Parlamento, Nikos Filis, afirmou que o país não conseguirá pagar um empréstimo para o Fundo Monetário Internacional (FMI) no próximo mês a menos que um acordo seja alcançado com os credores para desbloquear recursos do pacote de ajuda. Segundo ele, o governo vai priorizar o pagamento de salários, pensões e custos gerais do Estado em vez do empréstimo que vence em 5 de junho.

"Nenhum país consegue pagar suas dívidas apenas com o dinheiro de seu orçamento", disse Filis em entrevista à rede de televisão Ant1. Sem acesso aos mercados de bônus internacionais por causa das altas taxas de retorno exigidas pelos investidores, a Grécia depende dos recursos do resgate internacional para pagar dívidas e evitar um calote.

"Agora é o momento da verdade", afirmou o porta-voz. Segundo Filis, se não houver um acordo até 5 de junho, o FMI não receberá os 303 milhões que a Grécia deve. Nas últimas semanas, a Grécia conseguiu pagar suas dívidas reunindo recursos de fundos de reserva de empresas estatais, incluindo escolas, centros culturais e embaixadas no exterior. No entanto, esses fundos não são suficientes para o país seguir até meados do ano, quando terá de pagar vários bilhões de euros em dívidas.

Empréstimo. Para tentar amenizar um pouco a situação, o Banco Central Europeu (BCE) elevou ontem a quantia que os bancos gregos podem emprestar, no âmbito de um programa de empréstimos de emergência, de acordo com uma autoridade bancária da Grécia. O BCE elevou a quantia de dinheiro que o Banco Central da Grécia pode emprestar aos bancos para 80,2 bilhões (US$ 89 bilhões). Antes, o limite era de 80 bilhões.

"O aumento na liquidez emergencial foi menor que em ocasiões anteriores, já que a saída de depósitos nos bancos gregos foi significativamente mais baixa", afirmou a fonte.

No âmbito do programa de assistência emergencial de liquidez (ELA, na sigla em inglês), o BC grego empresta dinheiro às instituições financeiras do país. O empréstimo, nesse caso, tem uma taxa de juros maior que o padrão dos empréstimos do BCE, e o risco de crédito fica com a Grécia. Os bancos gregos foram forçados a entrar no ELA em fevereiro, após o BCE suspender uma exceção que havia permitido aos bancos do país usarem bônus do governo classificados como junk como colateral para os empréstimos do BCE. / Agências internacionais

Mais conteúdo sobre:
Grécia calote dívida O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.