UE pede prorrogação de cláusula da paz e Amorim não negocia

Em reunião realizada ontem entre o G-21, grupo de países em desenvolvimento liderado pelo Brasil, e os representantes da União Européia (UE), o comissário agrícola da UE, Franz Fischler, pediu diretamente ao ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, para prorrogar a Cláusula da Paz, que expira em 31 de dezembro deste ano e que protege países ricos de possíveis contestações feitas por países em desenvolvimento sobre subsídios e preferências, entre outros entraves. "Faz sentido prorrogar a Cláusula da Paz, pois se muitos membros da OMC iniciarem painéis contestando o que já existe poderá criar um distúrbio maior para os estágios finais das negociações da rodada de Doha. A prorrogação da Cláusula da Paz facilitaria o avanço das negociações de Doha até o final de 2004, que é o último prazo de Doha", afirmou hoje Fischler.Um negociador da delegação brasileira, que esteve presente à reunião de ontem entre o G-21 e a UE, confirmou que, pela primeira vez durante a reunião ministerial em Cancún, os europeus falaram da Cláusula da Paz. "Mas a resposta do ministro Amorim foi simples: de que a Cláusula da Paz não está mandatada, isto é, não está entre aqueles dispositivos que constam do documento de Doha. "Ou seja, o que está escrito no mandato de Doha, nós negociamos. O que não está escrito, nós não vamos negociar", informou a fonte. Os americanos também comentaram hoje a questão da Clausula da Paz. "A prorrogação da Cláusula de Paz somente é válida no contexto de avançar o processo de negociação da rodada de Doha, isto é, somente se criar oportunidades para cortar subsídios à exportação e aumentar acesso de mercados", afirmou David Johnson, secretário-assistente para agricultura da USTR, o órgão de representação comercial dos Estados Unidos.

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