UE pode impor novas restrições à carne bovina do Brasil

O Brasil deve sofrer novos embargos contra a exportação de sua carne bovina à União Européia (UE). Bruxelas deixou claro que está preparando medidas que poderão entrar em vigor em 2008 para barrar parte das vendas nacionais por problemas fitossanitários. Uma das possibilidades seria a limitação significativa do número de empresas e frigoríficos com a autorização para exportar.As medidas são resultado das inspeções feitas pelos veterinários da Europa, que no mês passado estiveram no Brasil. Bruxelas já havia alertado as autoridades nacionais de que a situação da produção de carne não era boa. Mas deu seis meses para o País colocar seus controles em dia, o que não teria ocorrido.A eventual decisão de impor novas sanções ainda não foi tomada. Mas os veterinários europeus já estudam que tipo de medidas poderão ser aplicadas. Bruxelas, porém, terá de equilibrar o embargo à pressão dos departamentos econômicos do bloco que temem que as limitações à carne brasileira podem acabar gerando uma inflação no preços alimentos na Europa.Hoje, o Brasil é um dos principais fornecedores de carnes para o mercado europeu e um embargo geraria uma alta nos preços. Para os produtores irlandeses e ingleses, que há meses pedem o embargo, a notícia foi comemorada, já que poderá representar maiores vendas desses países ao restante do bloco. Hoje, agências internacionais de notícias chegaram a anunciar que o comissário de Saúde Animal da Europa, Markos Kyprianou, já teria proposto limitações à carne brasileira durante a reunião semanal dos comissários da UE. A porta-voz da comissão, Nina Papadoulaki, desmentiu que as propostas tivessem sido apresentadas. Mas confirmou que os técnicos estão "avaliando o relatório dos veterinários e considerando as medidas a serem tomadas".Por causa da febre aftosa, os europeus já aplicam embargo contra as carnes de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Mas os produtores europeus alegam que o Brasil estaria movendo o gado dessas regiões para Estados livres de aftosa para poder exportar. O Brasil sempre negou que a produção de carne estivesse fora dos padrões europeus.

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