UE propõe ampliar corte de tarifa agrícola para 60%

Porta-voz do bloco diz que melhora é substancial e que deve injetar ânimo às discussões em Genebra

Deise Vieira, da Agência Estado,

21 de julho de 2008 | 08h36

A União Européia está pronta para ampliar a proposta de corte de tarifa agrícola de 54% para 60% nas discussões da Organização Mundial do Comércio (OMC), segundo o porta-voz do bloco, Peter Power. "Estamos em uma posição de aumentar nossos cortes médios de tarifa de 54% para 60%. Este é um avanço bastante considerável e uma melhora substancial, e deve injetar ânimo às discussões em Genebra esta semana", afirmou ele. As informações são da Dow Jones.   Veja também:  EUA prometem nova proposta para corte de subsídios  Falta de sintonia marca reunião da OMC sobre Rodada Doha  Amorim busca minimizar comentário sobre nazista na OMC  EUA classificam como 'baixos' comentários de Amorim   Ministros de cerca de 35 países-membros da OMC participam, a partir desta segunda-feira, em Genebra, de uma reunião considerada decisiva para o futuro da Rodada Doha de liberalização do comércio global, segundo a BBC.   As negociações, que se arrastam desde 2001, estarão centradas em definir as modalidades de produtos que poderão ter tratamento diferenciado nos capítulos de agricultura e bens industriais na hora de cortar tarifas de importação ou subsídios. O único aspecto que os países tipicamente exportadores de produtos agrícolas parecem ter em comum com os exportadores de bens industriais é a certeza de que um acordo agora é fundamental para a economia mundial, abalada pela atual crise alimentar. Na semana passada, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, alertou que o fracasso dessa reunião representará "mais uma nuvem" no cenário global e "cobrará um preço muito alto". Por sua vez, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, vaticinou que, na falta de um acordo agora, a Rodada terá que ser congelada durante pelo menos quatro anos, por conta das eleições presidenciais nos Estados Unidos, em novembro, e das eleições européias de junho de 2009. No último domingo, o Banco Mundial também alertou que essa é a última oportunidade de se fechar um acordo na OMC. "É agora ou nunca", declarou o presidente da entidade, Robert Zoellick, que foi um dos principais negociadores americanos na Rodada Doha entre 2002 e 2004 e, em várias ocasiões, foi o responsável por bloquear entendimentos com os países emergentes.   Hoje, porém, na condição de presidente do Banco Mundial e responsável pelo desenvolvimento dos países mais pobres, Zoellick toma uma postura diferente. "Nunca foi tão importante fazer avançar um acordo. Um entendimento daria confiança à economia mundial afetada pela alta nos preços de alimentos e energia", disse.   (com BBC Brasil e Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo)

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