UE propõe fim de subsídio à exportação se houver concessões

A União Européia (UE) propôs hoje acabar com os subsídios concedidos às exportações agrícolas do bloco se outros países fizeram concessões mais abrangentes na questão agrícola. Essa oferta da UE para tentar destravar as negociações de comércio mundial foi feita em uma carta enviada a todos os membros da Organização Mundial do Comércio (OMC), que se reunirão na sexta-feira em Paris."Na agricultura, acreditamos ter a oportunidade histórica para uma ruptura (das antigas relações de comércio)", disseram os comissários europeus de Comércio, Pascal Lamy, e de Agricultura, Franz Fischler, na carta assinada por ambos. ?Se os países fizerem concessões?, dizem, "estaremos prontos para remover os subsídios de exportação". Lamy afirmou que espera dirimir as principais questões que emperram a conclusão das negociações até julho. Ele advertiu que um atraso fará com que as negociações coincidam com a eleição presidencial nos Estados Unidos, o que poderia travar novamente as conversações.Até agora a UE tem sido firme em sua posição de manter os subsídios concedidos a seus produtores, que distorcem o comércio mundial de alguns produtos e prejudica os agricultores de nações mais pobres. Só com subsídios aos setores de açúcar, carne bovina e produtos lácteos, a UE gasta 2,8 bilhões de euros por ano. Mesmo que um acordo seja alcançado o bloco continuará gastando quase 50 bilhões de euros por ano com subvenções a seus produtores. A diferença é que, após uma série de reformas que estão em curso, será quebrada a ligação entre esses pagamentos e a superprodução de alimentos e consequente queda nos preços internacionais. "Nossos parceiros têm subestimado o impacto de nossa reforma agrícola", disse Lamy. Ele admitiu, no entanto, que as mudanças na política agrícola européia têm sido lentas.Na carta enviada aos membros da OMC hoje, a UE também conclamou os Estados Unidos a tomar decisões difíceis. Em particular, Lamy disse que uma ação é exigida na questão do algodão, produto que é altamente subsidiado nos EUA e que "é vital para muitos países em desenvolvimento". Os EUA gastaram US$ 12,47 bilhões em subsídios aos produtores de algodão entre agosto de 1999 e julho de 2003. Washington deu aos exportadores da fibra US$ 3,2 bilhões em créditos de exportação. "Esperamos que nossos parceiros, incluindo os Estados Unidos, sigam nossos esforços e reduzam os subsídios domésticos", disse Lamy.A UE também suavizou suas demandas nas chamadas questões de Cingapura, estabelecendo regras únicas para investimentos e compras governamentais. "Estamos prontos para nos juntar a uma visão de consenso", escreveram Lamy e Fischler.

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