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UE quer acordo mais abrangente com Mercosul, diz Lamy

A possibilidade de um acordo entre o Mercosul e a União Européia, que formaria a maior área de livre comercio do mundo, dominou as discussões desta quarta-feira, na III Cúpula América Latina, Caribe e União Européia, realizada em Guadalajara, no México. Os dois lados fazem segredo sobre o grau de avanço já obtido nas negociações, mas, nesta quinta-feira, serão divulgados prazos e revelado se o acordo final pode mesmo sair até outubro, quando termina o mandato dos atuais comissários da União Européia e novos representantes devem tomar posse, o que poderia atrasar as negociações."Amanhã poderemos dizer sim ou não para a pergunta: ´O acordo sai até outubro?´, disse o comissário de Comércio da União Européia, Pascal Lamy. Os dois lados fazem segredo sobre o estágio das negociações, segundo Lamy, eles fizeram um pacto de não revelar a imprensa informações que ainda estão sendo discutidas."Grande escala""Não podemos negociar por meio dos meios de comunicação", completou Martín Redrado, Ministro de Comércio da Argentina, ao ser perguntado o que falta às propostas. "Seria indelicado, e até falta de profissionalismo da minha parte", afirmou o ministro argentino falando em nome do Mercosul, numa mesa composta por Lamy e pelos co-presidentes do fórum empresarial Mercosul-União Européia.Mas, na visão de Lamy, uma boa notícia já pode ser divulgada. "Apresentamos as propostas para os nossos países membros e eles querem ir mais além", comentou. "Eles estão pressionando para que o acordo seja de grande escala. Será o maior acordo comercial do mundo, o que implica em grandes compromissos de ambas as partes."EmpresáriosApesar do tom de concordância, as declarações dadas pelos representantes do empresariado europeu e sul-americano mostram que as duas partes ainda têm muitos pontos a discutir. "Podemos avançar em ambos os lados. Os últimos assuntos são sempre os mais difíceis", ressaltou em nome do Brasil e do Mercosul o co-presidente do fórum empresarial, Ingo Plöger. "É como numa maratona, em que os últimos quilômetros são sempre os mais difíceis. Temos de superar a dor."Para ele, superar a dor significa ceder em todas as áreas, inclusive na abertura do Mercosul para os produtos industrializados e os serviços europeus. "É possível avançar na complementaridade das economias, mas o crescimento é maior quando se está competindo entre si", declarou, enfatizando que o acordo também abrirá oportunidades para empresários brasileiros na Europa."Não temos os detalhes das ofertas, mas temos de avançar, principalmente nos setores de investimentos e serviços", disse o co-presidente europeu do fórum, Guy Dolle. "E também no acesso aos mercados", completou Plöger interrompendo o colega e deixando explícitas as diferenças.Ovo e farinhaAlguns dos poucos detalhes revelados da negociação vieram do porta-voz da Comissão de Agricultura da União Européia, Gregor Kruzhuber. Ele confirmou que a proposta européia prevê a divisão de produtos agrícolas e agroderivados do Mercosul em três grupos. O primeiro, do qual fariam parte produtos como ovo e farinha, teria acesso irrestrito ao mercado europeu.O segundo, composto entre outros produtos por frutas e sucos, teria uma "redução substancial nas tarifas de importação". O terceiro e ultimo seria tratado "com a imposição de cotas tarifárias preferenciais", disse o porta-voz. Dele fariam parte carne e álcool."Trata-se da oferta mais ambiciosa da história da União Européia, nunca fizemos algo semelhante", destacou Kruzhuber. "Mas ela não vem de graça. Não existe comida de graça."Em contrapartida, os europeus exigem uma maior abertura para produtos agrícolas e agroderivados considerados de qualidade, além de um controle mais rígido para mercadorias com controle de origem, produtos que levam os nomes de suas regiões, como presunto de Parma e champanhe."A lista que apresentamos contém produtos de alta qualidade reconhecidos mundialmente, não é um exagero", comentou o porta-voz. Pela proposta, apenas produtos produzidos nas suas regiões e com um controle de origem poderão usar nomes das áreas onde tradicionalmente são produzidos.Ou seja, um presunto cru feito no Brasil, não poderia ser chamado de "presunto de Parma". O mesmo deveria acontecer com queijo parmesão, que também tem origem na cidade italiana de Parma.ImigraçãoAlem das questões comerciais, a falta de integração do Mercosul também é um fator que dificulta os avanços das negociações, de acordo com o diretor-geral de Comércio da União Européia, Karl Falkenberg. "Eles ainda têm o que avançar, como na questão aduaneira, por exemplo. Um produto do Mercosul só tem que ser desembaraçado uma única vez ao entrar na UE", compara Karl Falkenberg."Mas se eu quero levar um carro francês para o Brasil e, de lá, importá-lo para a Argentina, terei que pagar taxas alfandegárias e desembaraçá-la duas vezes. Se acontecer de eu ter que levá-lo para o Paraguai, pagarei esses encargos uma terceira vez".A proposta também tem um capítulo inteiramente dedicado a regulamentar a circulação de cidadãos do Mercosul na União Européia e vice-versa. Mas, para quem pensa em ganhar a vida na Europa, o texto deve trazer poucas esperanças.Segundo a porta-voz de comércio da União Européia, Arancha González, "dentro do âmbito das discussões de serviços, há um capítulo inteiro que trata da entrada temporária de profissionais do Mercosul na União Européia" para trabalhar em vários projetos de diferentes setores.

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