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UE quer ajuda global para superar crise

Comissão Europeia defende que FMI e G-20 contribuam para financiar dívida do bloco, mas ainda há líderes que resistem à proposta

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2011 | 03h05

A Europa deve pedir ajuda internacional para financiar sua crise da dívida. Bruxelas quer que o Fundo Monetário Internacional (FMI),o G-20 e os países com elevados superávits nas contas externas contribuam para que o bloco consiga blindar a economia e garantir a volta da estabilidade na zona do euro.

Ontem, a União Europeia (UE) concluiu mais uma cúpula anunciando que está próxima de um acordo para frear a crise e que poderá anunciá-lo na quarta-feira. Um dos três pilares do plano foi praticamente fechado: a recapitalização dos bancos em mais de 100 bilhões.

"A ideia é a de ter até quarta-feira um ambicioso pacote de medidas para salvar a estabilidade do mundo", disse José Manuel Barroso, presidente da Comissão Europeia. Mas, em um cenário que jamais poderia ser imaginado há poucos anos, líderes europeus falavam abertamente da necessidade de um apoio de países de fora da UE para que isso se torne realidade.

O principal problema é como ampliar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef). Hoje, o mecanismo conta com 440 bilhões. O valor seria suficiente para socorrer um país do tamanho da Grécia. Mas não se descarta um eventual resgate à Espanha ou à Itália. Para isso, os europeus concordam que precisam de um fundo de cerca de 1,2 trilhão.

Mas o problema é como captar recursos para alimentar esse mecanismo. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, já deixou claro que o país não aceita usar mais uma vez recursos públicos. Berlim conseguiu enterrar o projeto francês de permitir que bancos e governos possam tomar empréstimo ilimitados do Banco Central Europeu (BCE), que já gastou mais de 160 bilhões em papéis da dívida dos países periféricos da Europa.

A opção que parece ganhar força é o maior envolvimento do FMI no financiamento, num claro esforço da UE de internacionalizar a crise europeia. O Fundo já tem uma parcela importante no resgate feito à Grécia. Mas Bruxelas quer mais.

Com o mecanismo, os europeus criariam uma nova entidade que usaria o dinheiro do fundo da UE, mas também sairia no mercado externo em busca de investimentos. A entidade compraria papéis de países em crise, com a condição de que os governos façam reformas profundas.

Em Bruxelas, fontes da UE admitem que a nova entidade poderia ser criada sob os auspícios do FMI. Ministros que participaram dos encontros dos últimos dias indicaram que a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, apoiava a ideia.

O primeiro-ministro da Suécia, Fredrik Reinfeldt, confirmou a tentativa de envolver parceiros não europeus no projeto. "Isso está sobre a mesa agora. Se estamos cruzando essa linha é porque pensamos que se pode obter recursos adicionais."

Nos últimos meses, Brasil, China, governos árabes e diversos outros países indicaram que estão dispostos a ajudar a Europa, alertando que a saúde da UE é do interesse de todos. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou a dizer que o Brics pensava em comprar papéis da dívida europeia e, até mesmo, a presidente Dilma Rousseff já ofereceu ajuda publicamente.

Mas um acordo ainda não foi obtido entre os parceiros europeus, já que muitos temem perder o controle sobre o destino de suas economias.

Mesmo assim, a Comissão Europeia já insistia na necessidade de reforçar o papel do FMI de uma maneira global. "Vimos que a crise da dívida é global. Portanto, queremos reforçar o FMI", disse Barroso. Ele deixou claro que, nas reuniões do G-20 de novembro, Bruxelas defenderá que o grupo garanta que o FMI tenha capacidade financeira suficiente para responder aos "problemas sistêmicos".

Bancos. Se a fonte do financiamento ainda não foi encontrada, a Europa afirmou ter se aproximado de um acordo para recapitalizar os bancos em mais de 100 bilhões. A ideia é que os bancos captem recursos no mercado privado e só em casos extremos os governos ajudem. Se os governos não tiverem recursos, a UE entra em ação.

Essa exigência já estava prevista para entrar em vigor em 2019. Mas os europeus querem antecipá-la para 2012. Um documento preparado pela UE ainda apontou que esquemas de garantias poderiam ser usados para assegurar que bancos tenham acesso a financiamento quando os créditos secarem nos mercados.

Mas há quem resista. O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, insiste que as condições para que os bancos recebam ajuda pública devem ser duras. Espanha e Itália também resistem e querem saber de que forma a UE vai ajudar países em dificuldades.

O terceiro pilar do pacote que será anunciado quarta-feira seria uma solução definitiva para a dívida grega. Em julho, o acordo era de que 21% da dívida do país nas mãos dos bancos seria perdoada por sete anos - na prática, um calote. Ninguém acredita que Atenas terá capacidade de pagar sua dívida.

Agora, porém, já se fala que o perdão possa ficar entre 50% e 60%. Ontem, a ministra do Orçamento da França, Valerie Pecresse, indicou que o país estava pronto para aceitar esse calote parcial e que os bancos franceses estavam preparados.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, deixou claro que a situação ainda não estava resolvida.

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